Na África Oriental, a britânica Diageo é um dos principais atores estrangeiros no mercado de bebidas. O grupo encontra-se atualmente numa fase de reestruturação das suas atividades.
A Alta Corte do Quénia acaba de levantar o principal obstáculo jurídico à venda da East African Breweries Limited pela Diageo à japonesa Asahi Holdings, no âmbito de uma operação avaliada em 2,3 mil milhões de dólares. Numa decisão proferida na quinta-feira, 9 de abril, a juíza Bahati Mwamuye rejeitou o pedido apresentado pelo distribuidor local Bia Tosha, que solicitava a suspensão da transação devido a um litígio comercial em curso desde 2016.
«O pedido do requerente datado de 5 de janeiro de 2026 é, por este meio, indeferido», declarou a magistrada, acrescentando que todas as outras medidas suscetíveis de atrasar a conclusão do acordo também foram levantadas. Esta decisão abre assim caminho à concretização de uma das maiores operações de fusões e aquisições já realizadas no Quénia, cuja finalização é esperada para o segundo semestre de 2026.
A Diageo, cotada em Londres e proprietária de marcas como Johnnie Walker e Captain Morgan, tinha anunciado em dezembro ter chegado a acordo para vender a sua participação de 65% na EABL à Asahi, no âmbito de uma ampla estratégia de reestruturação destinada a reduzir a dívida e relançar o crescimento.
A operação inclui também a venda da totalidade da sua participação na Diageo Kenya Limited, bem como de 53,68% das ações da United Distillers Vintners Kenya, outra filial do setor de bebidas.
Foi esta reconfiguração que levou a Bia Tosha, distribuidora de cerveja envolvida desde 2016 num litígio contra a Diageo, a EABL e a UDVK por alegadas práticas de concorrência desleal, a recorrer à justiça queniana em janeiro. A empresa argumentava que, caso a venda fosse concluída, seria difícil obter uma decisão judicial eficaz contra a Diageo e as suas filiais neste processo, pedindo por isso a suspensão da transação.
A Alta Corte tinha inicialmente classificado o processo como «urgente» e marcado uma audiência preliminar, alimentando a incerteza quanto ao calendário da operação. Com esta decisão, o risco jurídico é agora em grande parte eliminado.
Uma operação estratégica para Diageo e Asahi
Para a Diageo, a venda da EABL insere-se num movimento mais amplo de racionalização das suas atividades em África, com uma transição para um modelo mais assente em licenças de marcas e parcerias locais. Nos últimos anos, o grupo tem levado a cabo várias alienações seletivas, incluindo a venda da Guinness Camarões ao grupo Castel em 2023, a transferência da sua participação na Guinness Nigéria para o conglomerado singapurense Tolaram em 2024, e a venda da sua participação maioritária na Seychelles Breweries à Phoenix Beverages, filial do grupo mauriciano IBL, em 2025. Nesse processo, manteve a propriedade das suas marcas, estabelecendo acordos de licenciamento e de royalties. Em 2025, vendeu também a sua participação maioritária na Guinness Ghana Breweries ao grupo Castel.
Neste contexto, a venda à Asahi responde a vários objetivos: gerar liquidez para reduzir o endividamento, tranquilizar investidores mais exigentes após anos de desempenho considerado dececionante, e recentrar a sua presença africana num modelo menos intensivo em capital.
Para a Asahi, pelo contrário, esta aquisição insere-se numa estratégia de expansão internacional ambiciosa. O grupo japonês, sediado em Tóquio, tem demonstrado interesse por mercados em crescimento como África e a América do Sul, com o objetivo de diversificar as suas fontes de crescimento fora do seu mercado doméstico maduro.
No anúncio do acordo, o diretor executivo Atsushi Katsuki destacou que a EABL oferece um portefólio de marcas atrativo, fortes capacidades de marketing e infraestruturas industriais bem estabelecidas. Ao assumir o controlo deste grupo regional, a Asahi ganha uma posição estratégica numa região onde o consumo de cerveja continua a crescer e onde o potencial de subida de gama é significativo.
Espoir OLODO













Palais des Expositions, Alger (Safex)