Principal produtor africano de milho, a África do Sul afirma-se igualmente como o principal exportador desta cultura no continente. Com o início da campanha de comercialização de 2026/2027, a fileira já estabelece novos objetivos de crescimento no mercado internacional.
A África do Sul poderá colocar cerca de 3 milhões de toneladas de milho no mercado internacional durante a campanha comercial de 2026/2027, que teve início em maio. É o que indica Wandile Sihlobo, economista-chefe da Câmara das Empresas Agrícolas, numa análise publicada na segunda-feira, 25 de maio.
Esta previsão, caso se concretize, representaria um aumento de 50% face ao volume total exportado na temporada anterior (2 milhões de toneladas). Segundo o responsável, esta perspetiva de crescimento assenta numa oferta abundante.
O país colheu 16,8 milhões de toneladas de milho em 2026, um volume recorde, com uma subida de 1% em relação ao ano anterior, ao qual se juntam stocks elevados provenientes da campanha anterior. Com um consumo interno estimado em cerca de 12 milhões de toneladas por ano, a África do Sul dispõe assim de um excedente significativo destinado aos mercados externos.
Pretória antecipa também um aumento da procura nos seus principais mercados da África Austral, uma região exposta a riscos de seca. «Uma procura sustentada poderá surgir na África Austral, sendo que alguns países poderão enfrentar episódios de seca ligados ao fenómeno El Niño, o que poderá reduzir as suas colheitas na próxima campanha agrícola», explica Sihlobo.
Importa notar que o Zimbabué se tornou o principal cliente do milho sul-africano em 2025/2026, concentrando cerca de 39% dos volumes exportados, ou aproximadamente 780 770 toneladas.
Uma situação delicada no mercado externo
Para além das perspetivas para 2026/2027, o aumento esperado poderá sobretudo sinalizar uma recuperação do setor após vários anos de quebra nas exportações.
Dados da Agbiz mostram que as exportações sul-africanas caíram de um pico histórico de 4,1 milhões de toneladas em 2021/2022 para apenas 2 milhões em 2025/2026, uma queda de 51% no período, refletindo igualmente uma redução da procura pelo milho sul-africano no mercado internacional.
Entre os fatores que explicam esta diminuição da procura em alguns mercados tradicionais, nomeadamente no Extremo Oriente, a Agbiz aponta a abundância de milho barato no mercado mundial como principal obstáculo. «Esta situação reduziu a necessidade de importar milho de um fornecedor tão distante como a África do Sul», explica Sihlobo.
Neste contexto, a Agbiz considera que a fileira do milho deve ser mais integrada nas políticas de promoção das exportações agrícolas. Para a África do Sul, o desafio passa agora por consolidar e diversificar os mercados externos de forma a escoar de forma sustentável volumes cada vez maiores. Em 2025, as exportações de milho geraram 760 milhões de dólares, representando 5% das receitas agrícolas de exportação do país.
Stéphanas Assocle













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.