Na bacia cacaueira da África Ocidental, a doença do “swollen shoot” é uma patologia importante que reduz a produtividade das plantações. A Costa do Marfim e o Gana, que juntos concentram cerca de 60% da oferta mundial de cacau, decidiram unir esforços para combater esta doença.
A Costa do Marfim e o Gana validaram uma estratégia quinquenal de luta coordenada contra a doença viral do swollen shoot do cacaueiro (CSSVD) para o período 2026-2031. O anúncio foi feito durante um workshop realizado nos dias 14 e 15 de abril em Abidjan, pela Iniciativa Cacau Costa do Marfim–Gana (ICCIG), que reuniu representantes do Conselho do Café-Cacau (CCC), do Conselho do Cacau do Gana (Cocobod), bem como parceiros técnicos e financeiros.
Este roteiro assenta em cinco eixos prioritários: a reabilitação das plantações afetadas, o reforço da vigilância fitossanitária, a atualização da cartografia das zonas infetadas, a sensibilização dos produtores e o desenvolvimento de variedades resistentes através de investigação conjunta.
Considerada uma das doenças mais destrutivas do cacaueiro em África, o swollen shoot provoca uma redução progressiva dos rendimentos e pode levar à destruição total das plantações infetadas. Trata-se de uma doença viral incurável, transmitida por cochonilhas, que causa o inchaço dos ramos, descoloração das folhas, perdas de rendimento entre 25% e 50%, e a morte da árvore num prazo de três a cinco anos. Além disso, algumas árvores infetadas podem não apresentar sintomas durante anos, continuando ainda assim a propagar a doença nas explorações vizinhas.
A decisão de Acra e Abidjan de lançar uma resposta conjunta também evidencia a dificuldade de resolver o problema com iniciativas nacionais isoladas. «O swollen shoot não é apenas um desafio nacional, mas regional. Requer uma ação coletiva e harmonizada, bem como um compromisso de longo prazo de todos os parceiros para preservar o futuro do cacau», pode ler-se num comunicado publicado no site da ICCIG.
Uma doença já amplamente disseminada
Segundo dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 2025, o vírus do swollen shoot do cacaueiro (CSSV) já afeta plantações em onze das treze principais regiões produtoras de cacau na Costa do Marfim. Embora seja difícil estimar com precisão a área afetada, sabe-se que esta situação fragiliza o setor, que já enfrenta outros desafios.
«O setor cacaueiro da Costa do Marfim enfrenta dificuldades na produção e transformação do cacau. Esta situação, combinada com a presença da doença viral do swollen shoot, particularmente virulenta, leva a um aumento dos custos de produção, o que impacta diretamente os preços de exportação», indicava o USDA no seu último relatório de janeiro.
No Gana, o Cocobod estimava já em 2024 cerca de 500 000 hectares de plantações de cacau infetadas, o equivalente a cerca de 26% da área nacional cultivada, estimada em 1,94 milhões de hectares. A região noroeste, terceira maior produtora nacional, era então a mais afetada, concentrando 66% das áreas atingidas.
Esta doença é também apontada como uma das principais razões da queda progressiva da produção de cacau nos dois países, juntamente com fatores como as condições climáticas e a mineração ilegal.
Dados da ICCO mostram, por exemplo, que a produção de cacau na Costa do Marfim caiu 18%, passando de 2,24 milhões de toneladas em 2020/2021 para 1,85 milhão em 2024/2025. No Gana, o recuo foi de 40% no mesmo período, para cerca de 600 000 toneladas.
Stéphanas Assocle













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire