Na África Ocidental, a Guiné é um dos principais mercados de importação de carne de aves, juntamente com o Gana e o Benim. O governo procura relançar a indústria e a produção local com vista a reduzir a dependência das importações.
Na Guiné, o governo pretende dar um novo impulso à fileira avícola. No dia 17 de abril, o Ministério da Pecuária organizou uma concertação com os principais intervenientes do setor para discutir a implementação de uma nova estratégia nacional de desenvolvimento da avicultura para o período 2026-2030.
Esta folha de rota em preparação estrutura-se em torno de 7 eixos estratégicos, entre os quais o desenvolvimento da alimentação animal, a melhoria da biossegurança, a reforma do quadro comercial, bem como a estruturação da cadeia de valor e da organização dos intervenientes.
«Esta folha de rota ambiciona reduzir significativamente as importações de frango de carne, ao mesmo tempo que reforça a autossuficiência nacional em ovos, num contexto de crescimento sustentado das necessidades alimentares», pode ler-se num comunicado publicado no site do referido ministério.
A iniciativa surge num momento em que a fileira guineense, dominada por sistemas de produção tradicionais, continua pouco competitiva e incapaz de satisfazer a procura. Segundo dados compilados pela FAO, as importações de carne de frango aumentaram 63,25% em cinco anos, passando de 49 735 toneladas em 2020 para 81 193 toneladas em 2024, com uma fatura anual superior a 100 milhões de dólares. Ao mesmo tempo, a produção nacional mantém-se estagnada.
A organização das Nações Unidas estima que, no mesmo período, a Guiné produziu em média 13 806 toneladas de carne de frango por ano e nunca ultrapassou as 15 000 toneladas. Isto deve-se, em grande parte, a vários constrangimentos estruturais identificados pelos atores do setor, incluindo dificuldades de acesso ao financiamento, fragilidades do quadro regulamentar e desafios na organização do mercado.
Neste contexto, foram avançadas várias soluções para ultrapassar estes obstáculos, como a criação de mecanismos de financiamento adequados, fundos de garantia e o reforço do ambiente de negócios.
Rumo à criação de um ambiente favorável ao investimento?
A estratégia quinquenal anunciada para o desenvolvimento da avicultura insere-se também numa dinâmica de reforço da segurança alimentar e de maior captação de valor acrescentado no mercado interno. Se for efetivamente implementada, poderá abrir oportunidades de investimento ao longo de toda a cadeia de valor, sobretudo porque a perspetiva de substituição das importações já desperta o interesse do setor privado.
No dia 26 de março, o conglomerado guineense Société nouvelle de commerce (Sonoco) anunciou ter obtido um financiamento de 20 milhões de dólares junto da Sociedade Financeira Internacional para desenvolver um projeto avícola integrado através da sua filial FERMAV Industries no país. O projeto prevê abranger toda a cadeia de valor, desde a produção de ração animal até à distribuição, passando pela criação e transformação.
Enquanto isso, a Guiné deverá manter a sua forte dependência das importações. Segundo dados da plataforma Trade Map, o país importa carne e miudezas de frango principalmente da União Europeia, do Brasil e dos Estados Unidos.
Stéphanas Assocle













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire