O Chade é o segundo maior produtor de algodão na África Central, atrás dos Camarões. Enquanto a produção tem flutuado nos últimos anos e enfrenta dificuldades para se estabilizar, N’Djamena procura insuflar uma nova dinâmica no setor.
No Chade, o Ministério da Produção e Industrialização Agrícola lançou, no dia 13 de maio, o Projeto de Desenvolvimento Económico da Bacia Algodoeira do Chade (DEBACO). Com um custo total de 19,35 milhões de euros (22,5 milhões de dólares), este programa quinquenal é financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Segundo a Embaixada de França em N’Djamena, o DEBACO representa um reposicionamento do apoio francês à cadeia do algodão chadiana, com uma abordagem mais integrada ao desenvolvimento rural. Embora o programa se concentre principalmente no algodão, inclui também o apoio a várias culturas alimentares estratégicas para a segurança alimentar, nomeadamente sorgo, milho, feijão-frade e amendoim.
“O projeto DEBACO apoiará o planeamento do uso da terra, a delimitação e a segurança dos corredores de transumância, a prevenção de conflitos e a criação de estruturas locais de diálogo entre os diferentes intervenientes”, indica, por seu turno, o Ministério da Produção Agrícola.
As intervenções terão como alvo as províncias de Mayo-Kebbi Oeste e Médio-Chari, que concentram cerca de um quarto da produção anual de algodão no país, de acordo com dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Este apoio da cooperação francesa surge num momento em que a produção de algodão no país tem oscilado nos últimos anos, seguindo uma tendência de queda. Os dados da interprofissão, compilados pelo Programa Regional de Produção Integrada de Algodão em África (PR-PICA), ilustram a instabilidade da oferta local.
A produção de algodão-semente no Chade cresceu 9% em 2023/2024, atingindo 111.262 toneladas, antes de sofrer uma queda acentuada na campanha seguinte, para 57.774 toneladas, uma diminuição de quase metade. Para a campanha 2025/2026, o PR-PICA prevê, no entanto, uma recuperação de 29,8%, com uma produção estimada de 75.000 toneladas.
Resta saber em que medida a implementação do projeto DEBACO poderá alterar de forma duradoura a trajetória do setor nos próximos anos.
Stéphanas Assocle













Nairobi. Kenya