Togo perdeu cerca de 330 hectares de florestas primárias entre 2002 e 2025, o que representa uma redução estimada de 20% no período, segundo dados apresentados na semana passada em Kpalimé pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Este recuo ilustra a pressão persistente exercida sobre os recursos florestais do país.
A informação foi divulgada durante um workshop dedicado à restauração das paisagens florestais nas regiões dos Plateaux-Ouest. Para a FAO, representada por Oyetoundé Djiwa, esta degradação progressiva dos espaços florestais ameaça diretamente os meios de subsistência, a segurança alimentar e a resiliência das populações face às alterações climatisas.
Uma floresta primária (ou “floresta virgem”) é uma floresta naturalmente regenerada com espécies indígenas, onde não há vestígios visíveis de atividade humana passada ou presente e onde os processos ecológicos não foram perturbados. Para além destas, a cobertura vegetal nacional diminuiu mais de 130 000 hectares entre 2001 e 2025. As autoridades e os parceiros técnicos identificam vários fatores de pressão: a expansão das terras agrícolas, a urbanização, o desenvolvimento de infraestruturas e as queimadas.
Segundo dados de satélite apresentados durante os trabalhos, foram já registados 772 alertas de incêndios no Togo entre janeiro e maio de 2026. O ano de 2013 continua a ser o mais afetado, com 2 846 alertas registados.
Face a esta situação, o governo togolês aposta em programas de restauração de terras e paisagens florestais. O país comprometeu-se, no âmbito da iniciativa africana AFR100, a restaurar 1,4 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.
Neste contexto, um quadro de concertação intermunicipal dedicado à restauração das paisagens florestais já está operacional no âmbito do projeto AFR100 Togo. Reunindo autarcas, secretários-gerais de municípios, chefes tradicionais e técnicos do Ministério do Ambiente, este mecanismo visa reforçar a coordenação das ações locais de gestão sustentável dos recursos naturais e de adaptação às alterações climáticas.
Implementado pela FAO com o apoio da cooperação alemã (BMZ), o projeto AFR100 Togo prevê a restauração de áreas florestais sob gestão melhorada e de terras degradadas. “A restauração das paisagens só pode ser eficaz se for assumida coletivamente, numa lógica intermunicipal”, afirmou Oyetoundé Djiwa.
Desde 2021, o Togo também implementa uma estratégia de reflorestação que visa plantar mil milhões de árvores até 2030. Apesar de vários milhões de mudas já terem sido plantadas, as autoridades continuam a enfrentar incêndios florestais, pressão fundiária e baixa taxa de sobrevivência das árvores plantadas.
Ayi Renaud Dossavi













Nairobi. Kenya