A Africa Finance Corporation (AFC) lança um programa de investimento em fundos tecnológicos africanos, com compromissos iniciais junto da Lightrock e da Future Africa. O objetivo é reforçar a contribuição dos capitais institucionais africanos no ecossistema de capital de risco.
O conselho de administração da Africa Finance Corporation (AFC) aprovou um investimento que pode atingir 100 milhões de dólares destinado a gestores de fundos tecnológicos africanos.
O anúncio, feito na segunda-feira, 18 de maio, marca uma nova etapa na estratégia da instituição, que visa aumentar a participação de capitais africanos no financiamento de empresas tecnológicas no continente. Através desta verba, a AFC compromete-se a apoiar fundos que operam no ecossistema tecnológico africano, ao mesmo tempo que reforça a participação de investidores institucionais locais no financiamento de capital de risco em África.
Primeiros compromissos em dois fundos
No âmbito da implementação inicial deste programa, a AFC assumiu compromissos com a Lightrock através do seu fundo Africa Fund II, e com a Future Africa através do Future Africa Fund III.
O fornecedor de soluções de infraestruturas prevê nomeadamente um investimento de 40 milhões de dólares neste último veículo, centrado no financiamento de empresas que desenvolvem soluções tecnológicas adaptadas às necessidades do continente.
Paralelamente, o seu compromisso com o Lightrock Africa II visa empresas tecnológicas implantadas principalmente no Quénia, na África do Sul e na Nigéria.
O capital de risco africano ganha dinamismo
Este investimento de 100 milhões de dólares ocorre num contexto de crescente dinamização do capital de risco em África. Segundo a AFC, alguns gestores de fundos no continente registaram desempenhos que atingiram até 128 vezes o capital investido. Além disso, as start-ups tecnológicas africanas levantaram 2,4 mil milhões de dólares em capital próprio em 2025, um aumento de 8% em termos anuais, segundo o relatório Partech Africa 2025.
Esta dinâmica é acompanhada por um aumento de investidores locais africanos, que representaram 30% dos financiadores de empresas africanas em 2025, contra 28% da América do Norte e 25% da Europa, segundo um relatório da Associação Africana de Capital Privado e Capital de Risco (AVCA), publicado a 10 de fevereiro de 2026.
Com 188 investidores ativos, principalmente sediados na África do Sul, no Egito, na Nigéria e no Quénia, os capitais africanos confirmam a sua crescente relevância no ecossistema de capital de risco do continente, que contou com 625 investidores no último ano. Ao mobilizar recursos desta escala, a AFC pretende consolidar esta evolução e reforçar a ancoragem local do financiamento tecnológico em África.
Chamberline Moko













Nairobi. Kenya