À escala global, a desflorestação continua a ser uma ameaça importante para a biodiversidade, o clima e os meios de subsistência das populações. Perante um fenómeno que continua a ganhar terreno, os esforços de combate estão a multiplicar-se.
A boa notícia é que o ritmo de crescimento da desflorestação mundial está a abrandar; a má notícia é que não o faz com rapidez suficiente. Este é o resumo das informações publicadas na quarta-feira, 29 de abril, pelo Global Forest Watch (GFW), um projeto lançado pelo World Resources Institute (WRI) e pela Universidade de Maryland.
No total, em 2025, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical primária (florestas que não sofreram intervenção humana), um nível cerca de 36% inferior ao de 2024, que tinha sido um ano particularmente negativo. O principal fator de perda da cobertura florestal continua a ser a expansão das terras agrícolas para a produção de matérias-primas destinadas aos mercados internacionais ou para a agricultura de subsistência das famílias, seguida pelos incêndios.
Uma tendência positiva impulsionada pelo Brasil
Segundo o GFW, o abrandamento registado em 2025 deve-se sobretudo aos bons resultados do Brasil. Na maior economia da América do Sul, a perda de cobertura florestal caiu para 1,63 milhões de hectares no último ano, contra 2,82 milhões em 2024, contribuindo para a descida da média global. Esta situação está diretamente ligada ao reforço do combate ao abate ilegal por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o aumento das operações de controlo.
«A título de exemplo, a sua administração relançou o PPCDAm, um quadro estratégico de combate à desflorestação que coordena a ação de 19 agências federais, alargando-o agora a todos os biomas do país. Criado pela primeira vez em 2004, o PPCDAm já tinha permitido fortes reduções da perda de florestas primárias na Amazónia no início dos anos 2000. O componente repressivo também foi reforçado: a agência ambiental federal IBAMA aumentou, entre 2023 e 2025, o número de notificações de infrações ambientais em 81% e o valor das multas em 63%, em comparação com o período 2020-2022», explicam os autores da publicação.
Durante o período analisado, foi Madagáscar o país mais afetado em termos relativos à extensão das suas florestas primárias, com uma perda de 1,9%, equivalente a 90.000 hectares. Na ilha, a agricultura de corte e queima e a extração ilegal de safiras e níquel, que se desenvolvem respetivamente no norte e no sul do corredor Ankeniheny-Zahamena (ZAC), um dos últimos grandes vestígios de floresta primária, são consideradas as principais ameaças.
Tal como em 2024, a República Democrática do Congo, que abriga o segundo maior pulmão ecológico do planeta depois da Amazónia, continua a ser o terceiro país do mundo com maiores perdas em termos absolutos, com 560.000 hectares destruídos devido à expansão agrícola, à exploração de madeira para lenha e à produção de carvão vegetal, principal fonte de energia.
Segundo o Banco Mundial, a biomassa representa 98,8% do consumo energético total dos agregados familiares no país, dos quais 81,8% corresponde a lenha e 17% a carvão vegetal, sendo muito limitada a utilização de fontes de energia mais limpas.
Progressos ainda insuficientes face aos objetivos climáticos
Embora a redução seja encorajadora, o GFW sublinha que as perdas em 2025 equivalem a mais de 11 campos de futebol por minuto e que o fenómeno continua 46% acima do nível registado há dez anos. Além disso, o organismo alerta que as alterações climáticas estão a tornar as florestas mais vulneráveis e a transformar estes sumidouros de carbono em potenciais fontes de emissões.
Por outro lado, a desflorestação continua demasiado elevada para cumprir a Declaração de Nova Iorque sobre Florestas de 2014, que previa o fim deste fenómeno até 2030.
«Os dados de 2025 mostram que é possível reduzir a perda de florestas. As fortes quedas registadas no Brasil, bem como níveis relativamente baixos ou estáveis na Colômbia, Indonésia e Malásia, demonstram como as escolhas políticas, o reforço da aplicação da lei e os compromissos das empresas podem melhorar o estado das florestas. Ao mesmo tempo, as perdas elevadas noutras regiões lembram a necessidade de intensificar os esforços para travar a destruição florestal. A poucos anos do prazo para atingir o objetivo global de travar e inverter a perda de florestas até 2030, os países terão de acelerar a sua ação», alertam os autores.
Espoir Olodo













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