O mercado dos fertilizantes é um dos mais afetados pelas perturbações no transporte marítimo no estreito de Ormuz, tal como o petróleo e o gás. Perante esta situação, multiplicam-se as preocupações com a segurança alimentar.
Em 2026, os preços mundiais dos fertilizantes poderão subir mais de 30% devido ao conflito no Médio Oriente. O alerta foi emitido pelo Banco Mundial na terça-feira, 28 de abril, na mais recente edição do relatório «Commodity Markets Outlook». Desde o início do conflito há dois meses, o mercado global de fertilizantes tem sido marcado por fortes tensões, devido às perturbações no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes, ou seja, cerca de 16 milhões de toneladas por ano.
Já em março, o preço da ureia subiu para 725,6 USD por tonelada, ou seja, +53,7% face a fevereiro, atingindo o valor mais elevado em quatro anos. Ao mesmo tempo, a tonelada de fosfato diamónico (DAP), o fertilizante fosfatado mais utilizado, era negociada a 658,3 USD por tonelada (+5%), enquanto o cloreto de potássio (MOP) passou de 372,5 USD para 380,6 USD por tonelada entre fevereiro e março.
No total, o índice dos preços dos fertilizantes aumentou mais de 12% entre o último trimestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. «Os fertilizantes nunca estiveram tão pouco acessíveis desde 2022, reduzindo os rendimentos dos agricultores e ameaçando as futuras colheitas», explica a organização.
A ureia como motor da subida nos próximos meses
A situação já é crítica para a agricultura e para a segurança alimentar mundial, e a instituição financeira não prevê melhorias num futuro próximo. Nos próximos meses, a subida dos preços deverá continuar, impulsionada sobretudo pela ureia, o fertilizante azotado mais utilizado no mundo.
Segundo o relatório, com as tensões no mercado, os preços da ureia deverão terminar o ano em 675 USD por tonelada, cerca de 60% acima de 2025, antes de recuar 25% em 2027, caso haja uma melhoria no preço do gás natural.
«Entre os principais riscos em alta estão a continuidade das fortes restrições ao transporte marítimo no Médio Oriente ou uma nova escalada do conflito, o que poderá agravar as escassezes. Além disso, receios de falta de fertilizantes nos mercados internos podem levar grandes exportadores a impor restrições, enquanto uma subida maior do que o esperado do gás natural aumentaria ainda mais os custos de produção (o gás representa 80% a 90% do custo da amónia, principal componente da ureia). Se estes riscos se concretizarem, o preço médio da ureia em 2026 poderá ultrapassar os 700 dólares por tonelada registados em 2022», alerta o Banco Mundial.
Quanto aos restantes fertilizantes, as subidas serão mais moderadas. Os preços do DAP deverão aumentar cerca de 6% em 2026 face a 2024, antes de recuarem 10% em 2027 com a entrada de novas capacidades de produção. Já o MOP deverá subir cerca de 12% em 2026, com uma descida de 6% prevista até 2027.
«A mais longo prazo, a entrada em funcionamento de novas capacidades de produção, nomeadamente no Canadá o maior produtor e exportador mundial de potassa, poderá pressionar os preços em baixa. No geral, os riscos para as perspetivas de preços parecem relativamente equilibrados, já que a produção e exportação de MOP não dependem fortemente do Médio Oriente», indica o Banco Mundial.
Espoir Olodo













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