O café, juntamente com o óleo de palma, o cacau, a borracha e a madeira, faz parte das principais matérias-primas visadas pela lei da União Europeia sobre o combate à desflorestação. Neste setor, a mobilização está em curso.
No dia 22 de abril, os grandes comerciantes e torrefadores lançaram a «Coffee Canopy Partnership», uma iniciativa destinada a mapear explorações agrícolas à escala mundial através de dados de satélite, inteligência artificial e verificações no terreno.
Esta iniciativa, que envolve empresas como JDE Peet’s NV, Louis Dreyfus Company, Touton, Sucafina SA e Neumann Kaffee Gruppe, deverá resultar num feito inédito: o primeiro mapa mundial, completo e de acesso livre, da produção de café.
«Ao recorrer à tecnologia avançada de satélites da Airbus, a parceria irá mapear as plantações de café em todas as paisagens cafeeiras, identificar zonas de perda de cobertura florestal e trabalhar com os governos na restauração dos ecossistemas e na prevenção de futuras desflorestações», indica o comunicado.
Este programa surge num contexto em que a aplicação do Regulamento da União Europeia sobre a Desflorestação (RDUE) está prevista para 30 de dezembro para os grandes operadores e para junho de 2027 para os mais pequenos, após dois adiamentos sucessivos.
O regulamento exige que cada lote de café colocado no mercado europeu seja totalmente rastreável até à parcela exata onde foi cultivado e que essa parcela não tenha sido objeto de desflorestação após 31 de dezembro de 2020.
Uma fase-piloto de grande escala na África Oriental
O primeiro eixo operacional deste programa centra-se na África Oriental, com uma área-piloto de cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados de paisagens cafeeiras. Abrange a Etiópia, o Quénia, o Uganda, a Tanzânia, o Ruanda e o Burundi.
Estes seis países, onde a produção é assegurada em mais de 80% por pequenos agricultores, exportam principalmente o seu café para membros da União Europeia como a Alemanha, a Bélgica, a Itália e os Países Baixos. A iniciativa deverá apoiar os esforços já em curso nesses países para se adaptarem à nova exigência europeia.
Na Etiópia, o regulador da fileira (Ethiopian Coffee and Tea Authority – ECTA) anunciou em março a receção técnica de uma nova plataforma nacional de rastreabilidade digital que permite geolocalizar as parcelas, acompanhar o café desde a exploração agrícola até ao porto de exportação e avaliar o risco de desflorestação através de uma aplicação móvel.
Para além da África Oriental, a Coffee Canopy Partnership prevê alargar progressivamente o mapeamento a todas as regiões cafeeiras do mundo, com cobertura total prevista até 2027, graças a co-investimentos adicionais da indústria e de instituições públicas ou multilaterais. Esta base de dados deverá tornar-se uma ferramenta de referência para empresas, autoridades nacionais e reguladores europeus.
Espoir Olodo













Landmark Centre, Victoria Island Lagos, Nigeria