A Glencore pretende produzir entre 810 000 e 870 000 toneladas de cobre em 2026. Devido aos quotas que limitam a sua capacidade de exportação de cobalto na RDC, o grupo suíço indicou no início do ano que pretende dar prioridade à produção do metal vermelho nas suas operações congolesas.
A Glencore produziu 199 600 toneladas de cobre no primeiro trimestre, o que representa um aumento de 19% em termos homólogos. O grupo suíço atribui esta evolução sobretudo ao desempenho das suas minas na RDC, cuja produção aumentou 68%, atingindo 67 900 toneladas.
Na RDC, a Glencore explora as minas de cobre e cobalto da Kamoto Copper Company e da Mutanda, na província do Lualaba (antigo Katanga). Enquanto a RDC impôs quotas às exportações de cobalto, reduzindo significativamente os volumes que produtores como a Glencore podem exportar este ano, a empresa decidiu dar prioridade ao cobre nos seus planos de exploração para 2026.
A KCC forneceu assim 51 900 toneladas de cobre, um aumento de 72% em termos homólogos, enquanto a produção da Mutanda cresceu 55%, atingindo 16 000 toneladas. Note-se que apenas a mina KCC produziu cobalto, num volume de 5 100 toneladas.
A Glencore manteve também as suas previsões de produção de cobre entre 810 000 e 870 000 toneladas para 2026. Isto significa que, por agora, a empresa não antecipa perturbações nas suas operações devido aos riscos de escassez associados ao fornecimento mundial de ácido sulfúrico. Este produto químico é utilizado em algumas explorações de cobre, incluindo as da Glencore na RDC, para extrair o metal do minério.
Esta escassez resulta da guerra no Irão, que praticamente fechou o Estreito de Ormuz ao transporte de enxofre, matéria-prima utilizada na produção de ácido sulfúrico. Isto retirou ao mercado global cerca de 50% dos volumes provenientes do Médio Oriente, do qual a África dependia em 48% para importações em 2025. Para responder a esta situação, a Glencore já recorre ao abastecimento da fundição de Kamoa-Kakula, cujo ácido sulfúrico é um subproduto da fusão de concentrados de cobre, segundo a diretora-geral da Ivanhoe Mines, Marna Cloete.
«Embora o impacto do conflito nas nossas operações industriais tenha sido limitado no primeiro trimestre, já se começam a sentir efeitos recentes e emergentes, sobretudo sob a forma de aumento dos custos de produção, nomeadamente no consumo de gasóleo e ácido», alerta Gary Nagle, diretor-geral do grupo suíço.
Emiliano Tossou













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