A medida que o Mali acelera a digitalização dos seus serviços públicos e da sua administração, a questão do alojamento e da proteção de dados torna-se um desafio central. A conservação local das informações é um dos principais objetivos do novo data center.
As autoridades malianas procederam, no sábado, 31 de janeiro, à inauguração oficial de um data center de nível Tier III em Bamaco, no âmbito da 3.ª edição da Semana do Digital do Mali. Apresentada como uma infraestrutura estratégica, esta instalação visa reforçar a soberania digital do país, promovendo o alojamento local de dados públicos e sensíveis, até agora maioritariamente armazenados no estrangeiro.
«Esta realização constitui um passo determinante para a conservação e segurança dos dados nacionais, garantia de soberania digital e autonomia tecnológica», declarou o ministro da Comunicação, Economia Digital e Modernização da Administração do Mali, Alhamdou Ag Ilyène, durante a cerimónia.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o data center cumpre os padrões internacionais mais exigentes. De nível Tier III, garante uma disponibilidade de serviços de 99,982 %, graças à redundância completa dos equipamentos críticos, alimentação elétrica segura e continuidade de serviço assegurada mesmo durante operações de manutenção. A infraestrutura foi concebida para alojar plataformas de administração eletrónica, bases de dados estratégicas do Estado e, futuramente, serviços digitais destinados ao setor privado.
Para além do desafio técnico, esta iniciativa insere-se numa vontade mais ampla de reduzir a dependência do Mali em relação a infraestruturas estrangeiras e soluções de cloud extraterritoriais. As autoridades indicaram que está previsto um processo gradual de repatriação dos dados atualmente armazenados fora do país, nomeadamente para plataformas resultantes de programas de desmaterialização de serviços públicos. O objetivo declarado é reforçar a segurança da informação, melhorar o desempenho dos serviços digitais e garantir um melhor controlo regulatório.
Soberania digital no Sahel: uma dinâmica regional em marcha
A inauguração deste data center ocorre num contexto regional marcado por uma aceleração dos investimentos digitais na AES (Aliança dos Estados do Sahel). Poucos dias antes, o Burkina Faso também inaugurou infraestruturas digitais de última geração, enquanto o Níger anunciou a intenção de se dotar em breve de centros de dados de grande capacidade. Esta dinâmica reflete a vontade comum dos Estados do Sahel de construir uma base digital soberana, assente no alojamento local de dados e na partilha de capacidades técnicas.
No entanto, tal como noutros países africanos, a soberania digital não se limita às infraestruturas. Engloba também aplicações, sistemas operativos, equipamentos e fornecedores de serviços, segmentos ainda largamente dominados por atores estrangeiros.
Embora o desenvolvimento de data centers constitua um avanço estruturante, os desafios relacionados com a cibersegurança, competências locais e surgimento de soluções tecnológicas nacionais permanecem centrais.
A longo prazo, as autoridades malianas estimam que esta infraestrutura poderá contribuir para acelerar o governo eletrónico, apoiar a inovação local e reforçar a atratividade digital do país, ao mesmo tempo que estabelece as bases para uma integração digital mais avançada no espaço da AES.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc