Após ter obtido luz verde regulatória na Nigéria para os seus serviços por satélite, a Amazon acelera o seu desenvolvimento em África. O grupo visa agora as zonas rurais menos servidas, com uma oferta destinada a alargar o acesso à Internet e a apoiar a inclusão digital.
A iniciativa satelital da Amazon continua a expandir-se em África. O grupo norte-americano oficializou, na quinta-feira, 26 de fevereiro, uma parceria com a Vanu para alargar a conectividade à Internet nas zonas rurais através da sua rede de satélites em órbita baixa Amazon Leo, um acordo já anunciado em novembro de 2025 pela Vanu. O dispositivo visa prioritariamente as regiões onde as infraestruturas terrestres permanecem insuficientes ou economicamente inviáveis.
O acordo prevê a utilização da constelação de satélites da Amazon como solução de backhaul para as redes móveis implementadas pela Vanu. Concretamente, o operador tecnológico poderá instalar estações de telecomunicações em zonas isoladas sem depender de ligações terrestres dispendiosas. O lançamento do serviço deverá começar na África do Sul, antes de uma expansão gradual para outros mercados africanos.
Esta iniciativa surge num contexto de défice estrutural de conectividade no continente. Segundo dados do setor, várias centenas de milhões de africanos continuam sem acesso fiável à Internet, um atraso particularmente acentuado nas zonas rurais. No espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), quase um quarto do território permanece fora de cobertura de rede, embora estas áreas acolham cerca de 40% da população regional.
Os sistemas satelitais em órbita baixa surgem assim como uma solução complementar às redes terrestres. Um estudo da consultora Access Partnership estima que a integração de constelações NGSO no ecossistema de conectividade da SADC poderá gerar até 16,9 mil milhões de dólares de benefícios económicos anuais, ao mesmo tempo que reduziria os custos de infraestrutura para os operadores em pelo menos 10,3 mil milhões de dólares.
Para além do acesso à Internet, a expansão da conectividade por satélite poderá apoiar vários setores económicos. Os usos relacionados com a Internet das Coisas, especialmente na logística e no transporte, poderão gerar cerca de 5,4 mil milhões de dólares em poupanças até 2030, segundo a consultora Ken Research, enquanto os sistemas de alerta precoce para a gestão de catástrofes naturais ofereceriam ganhos económicos estimados em mais de mil milhões de dólares.
O anúncio insere-se na crescente importância das soluções satelitais em África, um segmento estratégico na corrida à conectividade universal. Já autorizada a operar em alguns mercados do continente, nomeadamente na Nigéria, a Amazon junta-se a um ecossistema em que a conectividade via satélite é cada vez mais considerada como um motor de inclusão digital e desenvolvimento económico, sobretudo em territórios com baixa densidade populacional.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc