Perante o aumento das infrações digitais, a Polícia Nacional do Senegal intensifica a sua colaboração com as grandes plataformas tecnológicas.
O subdiretor-geral da Polícia Nacional do Senegal, o controlador-geral Abdoul Wahabou Sall, recebeu na semana passada uma delegação da Meta Platforms, a empresa-mãe das plataformas de redes sociais Facebook, WhatsApp e Instagram. O objetivo do encontro foi explorar novas formas de cooperação em matéria de segurança online.
As discussões focaram-se, nomeadamente, na proteção de jovens e menores nas redes sociais, bem como no reforço dos mecanismos de colaboração operacional entre as forças de segurança e a empresa norte-americana. «A este respeito, os representantes da Meta reafirmaram a sua disponibilidade para apoiar a Polícia Nacional através de ações de reforço de capacidades», indicou a Polícia senegalesa.
Esta parceria deverá concretizar-se através de ações de formação direcionadas às unidades especializadas, em particular à divisão especial de combate à cibercriminalidade. Estão previstas sessões de formação técnica sobre as ferramentas e o portal dedicado às forças de segurança da Meta, com o objetivo de melhorar a gestão de solicitações judiciais e o tratamento de conteúdos sinalizados.
Esta iniciativa insere-se numa tendência mais ampla observada em África, onde os Estados multiplicam os parcerias com atores digitais para enfrentar a rápida expansão dos usos online. Num contexto de aumento de ciberfraudes, assédio online e disseminação de conteúdos ilícitos, as autoridades senegalesas esforçam-se por adaptar os seus métodos de investigação a um ambiente digital que se tornou central nas infrações.
Nos últimos meses, também as instituições públicas foram alvo de ataques. Em outubro, a plataforma fiscal foi hackeada, seguida no início de fevereiro por um ciberataque ao departamento de automatização de arquivos (DAF), uma agência responsável pela emissão de cartões de identidade, passaportes e dados biométricos. O ataque provocou a suspensão temporária da produção de cartões nacionais de identidade.
A cooperação com plataformas digitais constitui, entre outros, um instrumento essencial para identificar os autores de atos criminosos e acelerar o tratamento das denúncias. Para além de uma mera troca institucional, traduz a evolução do papel das forças de segurança, agora chamadas a intervir tanto no ciberespaço como no terreno.
O Senegal tem capacidade para fazer face a estes desafios?
No seu relatório «Global Cybersecurity Index 2024», a União Internacional das Telecomunicações (UIT) atribuiu ao Senegal uma pontuação de 67,17 em 100 no índice global de cibersegurança. Esta pontuação posiciona o país na categoria Tier 3, que agrupa os países «que obtiveram pelo menos 55/100 e apresentam um compromisso inicial em matéria de cibersegurança. Esta categoria corresponde a Estados que iniciaram ações — avaliação, adoção ou implementação de medidas reconhecidas — em um número moderado de áreas ou indicadores».
Desde esta avaliação da UIT, as autoridades senegalesas anunciaram o New Deal Tecnológico, um programa de 1,7 mil milhões de dólares para transformar o país num hub tecnológico até 2034. No lançamento, em fevereiro de 2025, o presidente Bassirou Diomaye Faye afirmou: «comprometemo-nos a construir um espaço digital soberano, reforçando a nossa ciberresiliência, garantindo a segurança das infraestruturas, protegendo os nossos dados críticos e reduzindo progressivamente a dependência de soluções estrangeiras».
Adoni Conrad Quenum













Marrakech. Maroc