A Starlink prossegue a expansão da sua rede em África, num contexto de forte dinamismo da Internet por satélite. A empresa norte-americana está atualmente presente em cerca de 25 países africanos, incluindo o Benim, a Nigéria, o Gana, o Ruanda, o Quénia e o Níger.
Os serviços comerciais do fornecedor de Internet por satélite Starlink estão agora disponíveis no Senegal. A informação foi divulgada pela empresa norte-americana do multimilionário Elon Musk numa publicação na rede social X, na quarta-feira, 4 de janeiro.
Para aceder ao serviço, os senegaleses terão de pagar 22 000 francos CFA (cerca de 40 dólares) ou 30 000 francos CFA por mês. A este valor acresce o custo do equipamento, disponível em dois modelos vendidos por 117 000 e 146 000 francos CFA. A empresa promete velocidades até 305 Mbps em download e 40 Mbps em upload.
Com a sua constelação de satélites em órbita baixa (LEO), a Starlink pode assegurar uma cobertura generalizada do território senegalês, alcançando inclusive empresas localizadas em zonas rurais ou remotas, de difícil acesso para as redes terrestres dos operadores de telecomunicações e fornecedores tradicionais de acesso à Internet.
De acordo com um estudo realizado pelas autoridades, cujos resultados foram apresentados em setembro de 2025, 24 % das localidades do Senegal não dispõem de qualquer rede, representando cerca de 18 858 habitantes; 37 % sofrem perdas frequentes de sinal e apenas 52 % beneficiam de cobertura 4G, enquanto algumas zonas continuam limitadas à 2G.
A Starlink entra num mercado que contava com 24,14 milhões de assinaturas de Internet no final de junho de 2025, segundo fontes oficiais. Embora isto represente uma taxa de penetração de 124 % da população, o número real de utilizadores conectados deverá ser inferior, uma vez que estes dados incluem todas as linhas e cartões SIM utilizados para aceder à Internet, sendo que uma mesma pessoa pode possuir vários. Por exemplo, a DataReportal estima a taxa de penetração da Internet no país em 60,6 % no final de 2025.
O mercado senegalês da Internet é atualmente dominado pelos operadores de telecomunicações, em particular a Orange (Sonatel). No final de junho de 2025, esta detinha uma quota de 63,42 %, segundo dados do regulador das telecomunicações. A Free (Yas) ocupa a segunda posição com 22,8 %, seguida da Expresso (9,43 %) e da Promobile (5,07 %).
Além disso, a Starlink terá de enfrentar concorrência também no segmento da Internet por satélite. A Orange lançou serviços de Internet por satélite em dezembro de 2024, em parceria com a Eutelsat/Konnect. As ofertas do operador destinam-se principalmente a famílias e profissionais, com uma cobertura anunciada de cerca de 99 % do território.
Neste contexto, para além da promessa de cobertura e desempenho, a questão da acessibilidade financeira do serviço impõe-se como um desafio central para uma adoção em larga escala pelos lares senegaleses.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc