O setor digital poderá acrescentar US$ 4 bilhões à economia ugandense até 2030, criar 1,79 milhão de empregos e conectar mais 4 milhões de cidadãos à Internet.
As conclusões constam num relatório divulgado pela GSMA, que enfatiza o papel central das políticas públicas na promoção da transformação digital de Uganda.
Num cenário de crescente conectividade no continente africano, a GSMA destaca o papel central das políticas públicas para o sucesso da transformação digital em Uganda. Segundo a organização, uma governança digital mais aprimorada pode estimular o crescimento inclusivo.
Uganda poderá gerar 14,6 bilhões de shillings ugandenses (cerca de US$ 4 bilhões) em valor econômico adicional, criar 1,79 milhão de empregos e conectar mais 4 milhões de cidadãos à Internet até 2030. Essas são as conclusões de um novo relatório divulgado pela Associação Global de Operadoras de Telefonia Móvel na segunda-feira, 3 de novembro, durante o GSMA Digital Africa Summit Uganda, em Kampala.
O relatório, intitulado "Impulsionando a Transformação Digital da Economia em Uganda - Oportunidades, Reformas Políticas e o Papel do Mobile", destaca o impacto transformador do setor móvel no crescimento econômico e na inclusão digital, em linha com as metas do Plano de Desenvolvimento Nacional IV (NDP IV) e da Visão Digital Uganda 2040.
Um motor de crescimento para setores produtivos
Segundo a Estratégia de Transformação Digital de Uganda, o setor móvel, que já representa 9% do PIB nacional e emprega 2,3 milhões de pessoas, é apresentado como um pilar fundamental na transformação digital do país. O setor impulsiona a produtividade em setores-chave como agricultura, comércio, manufatura e serviços, ao mesmo tempo que fortalece o acesso à educação, saúde e serviços financeiros digitais.
A GSMA estima que a digitalização pode impulsionar a produtividade agrícola e industrial, aumentar as exportações e fortalecer a resiliência das pequenas empresas. A organização identifica a conectividade móvel como a espinha dorsal digital que permitirá a Uganda acelerar seu crescimento inclusivo e reduzir a segregação digital.
Um potencial ainda subexplorado
Apesar de a cobertura 4G atingir 96% da população e de haver 11,46 milhões de usuários únicos de Internet móvel (representando 22% da população total e 48% dos adultos), três em cada quatro ugandenses que vivem sob cobertura móvel não utilizam a Internet.
Esta baixa adoção está relacionada a vários obstáculos, como o alto custo de smartphones básicos, acesso irregular à energia, taxas setoriais que afetam a acessibilidade e falta de habilidades digitais. Segundo a GSMA, eliminar essas barreiras é essencial para atingir os objetivos do NDP IV 2030, que visa a 70% de cobertura nacional de banda larga e 45% de uso de Internet até 2029 ou 2030.
Reformas para um crescimento digital inclusivo
O relatório da GSMA pede uma revisão nas políticas públicas para criar um ambiente mais propício para investimento e inovação. A organização recomenda maior estabilidade regulatória, uma tributação mais adaptada ao digital e um quadro de investimentos de longo prazo. A GSMA também defende o reconhecimento oficial das infraestruturas de telecomunicações como “infraestruturas nacionais essenciais”, uma coordenação reforçada entre os setores de energia e TIC, bem como um esforço maior para tornar os smartphones mais acessíveis.
A modernização do quadro regulatório também se encontra entre as prioridades. A GSMA recomenda a atualização da legislação relativa à inteligência artificial, ao cloud computing e à proteção de dados, a fim de encorajar uma economia digital mais competitiva e segura.
Rumo a uma prosperidade compartilhada
Se essas reformas forem implementadas, a GSMA estima que permitiriam expandir a cobertura 4G para 99% da população, conectar 19 milhões de ugandenses à Internet (representando 32% da população total e 61% dos adultos) e reduzir o déficit no uso de banda larga em 7%. A longo prazo, essas medidas poderiam gerar 2,1 bilhões de shillings ugandenses em receitas fiscais adicionais, compensando as perdas decorrentes da diminuição das taxas setoriais e dando ao governo margem para financiar suas prioridades nacionais.
"A transformação digital de Uganda diz respeito, em primeiro lugar, aos cidadãos, empreendedores e comunidades. Tornando o acesso mais acessível e as políticas mais previsíveis, Uganda pode garantir que o progresso digital beneficie todos", declarou Angela Wamola (foto à esquerda), diretora África da GSMA.
Por fim, a GSMA pede uma cooperação mais intensa entre o governo, o setor privado e os parceiros de desenvolvimento para consolidar as conquistas e permitir que Uganda avance na sua transformação digital.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc