O governo mauritano aposta nas TIC para estimular o desenvolvimento socioeconómico.
Pretende, por isso, integrar o digital em todos os setores, nomeadamente no setor da saúde.
As autoridades mauritanas aceleram a digitalização do sistema nacional de saúde. Mohamed Mahmoud Ely Mahmoud (na foto, à direita), ministro da Saúde, apresentou na quinta-feira, 5 de dezembro, as prioridades da próxima fase da folha de rota durante uma reunião com o seu homólogo da Transformação Digital, da Inovação e da Modernização da Administração.
As prioridades incidem, nomeadamente, sobre a digitalização das informações epidemiológicas, a criação de uma base de dados nacional de vacinação, bem como a atualização dos dados relativos à gestão das infraestruturas sanitárias, dos equipamentos e dos fornecimentos médicos. Isto permitirá garantir a exatidão das informações, facilitar o planeamento e melhorar a eficácia das intervenções sanitárias.
Na semana passada, foram lançados os projetos digitais da Caixa Nacional de Seguro de Doença (CNAM). No centro das inovações encontra-se a plataforma E-CNAM, que permite a digitalização dos pedidos de autorização prévia, o depósito eletrónico dos documentos médicos e das faturas, bem como o acompanhamento do processo de reembolso. Oferece igualmente a digitalização dos procedimentos de assistência no exterior e da gestão interna da Caixa.
Na mesma semana, realizou-se também a segunda reunião do comité ministerial responsável pela reforma dos hospitais, sob a presidência do Primeiro-Ministro, Moctar Ould Diay. A transformação digital nestas instituições faz parte das principais propostas e eixos técnicos destinados a melhorar o atendimento aos pacientes.
A 29 de outubro, a Mauritânia registou um avanço estratégico com o lançamento da Estratégia Nacional de e-Saúde 2024-2030. Segundo a Agência Belga de Cooperação Internacional (ENABEL), um dos parceiros, esta folha de rota visa transformar o setor da saúde através da integração de soluções digitais para oferecer um acesso equitativo a serviços de saúde de qualidade, alargar a cobertura nas zonas remotas e facilitar as consultas à distância através da telemedicina. Contribui também para a racionalização dos custos e para uma gestão otimizada das importações de medicamentos e do aprovisionamento das instituições de saúde.
Além disso, a Ginger International, um gabinete francês especializado em assistência técnica e expertise em saúde e ambiente a nível internacional, foi mandatado pela União Europeia para implementar um projeto de apoio à digitalização do setor da saúde na Mauritânia. A iniciativa foi lançada no início de novembro.
Um potencial reconhecido face a desafios significativos
Numa nota publicada em julho de 2025, o Afrobarometer indicava que, na Mauritânia, o sistema de saúde enfrenta vários obstáculos estruturais. Entre estes desafios figuram a escassez de infraestruturas, a falta de pessoal médico qualificado, o elevado custo dos cuidados de saúde e as rupturas frequentes de medicamentos ou de material médico. Acrescenta ainda que o país possui apenas cerca de 26 médicos por cada 100 000 habitantes, um rácio muito abaixo da norma recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estes desafios juntam-se um subfinanciamento crónico do setor e problemas de governação, nomeadamente associados à corrupção.
“Estas insuficiências têm repercussões dramáticas na saúde pública. A mortalidade infantil, embora em ligeiro recuo, continua elevada, com 46,35 mortes por cada 1 000 nados-vivos em 2024 […]. Quanto à mortalidade materna, permanece uma das mais preocupantes do mundo, atingindo 766 mortes por cada 100 000 nados-vivos, ou seja, mais de três vezes a média mundial”, pode ler-se na nota intitulada ‘A saúde é a prioridade dos mauritanos, cuja maioria declara ter faltado a cuidados médicos’.
Segundo o PNUD, a saúde digital pode constituir uma oportunidade para enfrentar estes desafios e desenvolver os sistemas de saúde africanos, tendo em conta, por exemplo, a taxa de penetração da telefonia móvel em África e o uso que dela é feito. A agência das Nações Unidas estima que o digital permitirá expandir a cobertura sanitária universal ao derrubar certas barreiras, como os custos, as dificuldades de acesso ou a falta de qualidade dos cuidados, ao mesmo tempo que alarga a gama de serviços oferecidos, especialmente nas regiões onde as infraestruturas e o pessoal são raros ou inexistentes.
No entanto, estes esforços de transformação digital levantam várias questões, nomeadamente a da robustez e da disponibilidade geral das infraestruturas digitais. Embora a Mauritânia tenha acelerado o desenvolvimento das TIC no país, persistem limitações significativas. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), as redes 3G e 4G cobriam apenas 43,9% e 34,7% da população mauritana em 2022, contra 97% para a 2G em 2023. A taxa de penetração da Internet era de 37,4%, contra 79,1% para a telefonia móvel em 2023. Para além das infraestruturas, outros desafios permanecem: a falta de competências digitais, a insuficiência de financiamentos e a necessidade de reforçar a governação do setor. Estas limitações pesam sobre o sucesso da estratégia nacional de e-Saúde e condicionam a capacidade do país para transformar de forma sustentável o seu sistema de saúde.
Isaac K. Kassouwi













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