A procura por capacidade satelital está a acelerar, impulsionada pelas necessidades de acesso generalizado à Internet. Em resposta, vários países africanos estão a apostar no desenvolvimento de satélites nacionais para reduzir a dependência externa.
A África Oriental deu um passo decisivo rumo à concretização do seu projeto de satélite de comunicação e radiodifusão. Será lançado um estudo de viabilidade, previsto para um período de 12 a 18 meses, com o objetivo de definir os modelos técnico, financeiro e institucional, orientando assim a fase operacional da iniciativa.
Esta decisão resulta da resolução assinada por Uganda, Quénia, Ruanda e Sudão do Sul durante uma reunião interministerial realizada em Nairobi na quarta-feira, 29 de abril, à margem da “Connected Africa Summit”.
“Estamos agora numa fase em que devemos passar da preparação para a implementação. As decisões que tomamos hoje irão determinar a rapidez de concretização deste projeto”, declarou Chris Baryomunsi, ministro ugandês das TIC e presidente do cluster ministerial de desenvolvimento de infraestruturas TIC.
Uma busca de soberania digital
Esta iniciativa inscreve-se na continuidade das diretrizes da 14.ª Cimeira dos projetos de integração do Corredor Norte (NCIP), em junho de 2018. Os chefes de Estado recomendaram o desenvolvimento de um satélite regional detido pelos Estados membros. O objetivo é reforçar a soberania, alargar a conectividade e acelerar a transformação digital da região.
“Os nossos países continuam fortemente dependentes de sistemas externos. Isto tem implicações em termos de custos, fiabilidade e continuidade dos serviços. Reforçar a resiliência das nossas infraestruturas de comunicação não é uma opção”, afirmou o ministro queniano da Informação, Comunicações e Economia Digital, William Kabogo Gitau.
Este projeto, denominado “Northern Corridor Regional Communication and Broadcasting Satellite Initiative (NCRCBSI)”, surge num contexto de crescente interesse pelas tecnologias satelitais, vistas como uma alavanca importante para reduzir a exclusão digital em África. No entanto, poucos países concretizaram tais ambições até agora, como Angola, Argélia, Egito ou Nigéria. A maioria dos Estados africanos ainda depende de parcerias ou licenças com operadores internacionais como Eutelsat, SpaceX ou Yahsat.
Reduzir a exclusão digital
Esta tendência faz parte de um movimento mais amplo a nível continental. Segundo a GSMA, as soluções de conectividade não terrestre, incluindo o satélite, terão um papel fundamental na concretização da conectividade universal na África Subsariana.
“A região abriga alguns dos terrenos mais difíceis para redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias montanhosas. Mesmo em zonas rurais e pouco povoadas, o custo e a complexidade da implantação de redes móveis ou fixas tradicionais favorecem soluções alternativas de conectividade”, destaca a organização no seu relatório “The Mobile Economy Sub-Saharan Africa 2024”.
Segundo o ministério ugandês das TIC, o futuro satélite irá complementar as infraestruturas terrestres existentes, alargar a cobertura às zonas mal servidas e apoiar os serviços digitais e de radiodifusão. De acordo com o relatório “The State of Broadband in Africa 2025”, a África Oriental e Austral registavam em conjunto uma taxa de penetração da Internet de apenas 34,9% em 2023.
Além disso, a região apresenta um dos maiores défices de utilização da Internet móvel no continente. Um relatório da GSMA publicado em 2024 indica que, em 2023, 100 milhões de etíopes não utilizavam a Internet móvel. Tanzânia e RDC registavam cada uma 40 milhões de utilizadores não conectados, seguidas do Quénia e do Sudão (35 milhões cada) e do Uganda (30 milhões).
Isaac K. Kassouwi













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.