A Guiné Equatorial é atualmente servida por um único cabo submarino internacional. Esta situação afeta a qualidade e a disponibilidade da Internet, num contexto de transformação digital em que a administração, as empresas e os cidadãos dependem dela diariamente.
O governo equato-guineense está a considerar ligar o país ao cabo submarino «Medusa». Avaliada entre 20 milhões de euros (cerca de 23 milhões de dólares) e 60 milhões de euros, a iniciativa visa pôr fim às interrupções do serviço de Internet e garantir uma rede estável e de elevada qualidade. A sua entrada em funcionamento está prevista entre 2029 e 2030.
Esta iniciativa figura entre as medidas prioritárias propostas num estudo estratégico realizado pelo gabinete Mason para as autoridades, com o objetivo de transformar o panorama digital do país através de um plano atualizado e seguro. O relatório técnico foi apresentado na sexta-feira, 3 de abril, na presença do vice-presidente Nguema Obiang Mangue, segundo um comunicado do serviço de imprensa da vice-presidência e do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), no poder.
No entanto, o projeto ainda não foi formalmente aprovado. O vice-presidente indicou que será analisado em detalhe por uma comissão técnica, em colaboração com os responsáveis do «Medusa».
Uma infraestrutura estratégica para reforçar a conectividade
O relatório técnico da Mason indica que o cabo submarino Medusa é uma infraestrutura de fibra ótica de grande dimensão, com 8 700 quilómetros de extensão, ligando o Mediterrâneo, o Atlântico e o Mar Vermelho. A cidade de Bata é apontada como o ponto estratégico de aterragem, devido à sua densidade populacional e à proximidade com a capital, La Paz.
O sistema Medusa promete uma capacidade total de 480 Tb/s, baseada em 24 pares de fibras, ou seja, cerca de 20 Tb/s por par. Inicialmente concebido para ligar países do Mediterrâneo, o projeto foi posteriormente alargado a África, devendo melhorar o acesso ao digital para centenas de milhões de pessoas em 22 países do continente.
Esforços para diversificar as ligações internacionais
O relatório destaca a necessidade de reforçar a ligação nacional às redes internacionais de alta capacidade para ultrapassar as limitações atuais. Em fevereiro passado, o governo já tinha assinado um acordo de cooperação com a Nigéria para o desenvolvimento de uma infraestrutura de fibra ótica submarina.
Os detalhes técnicos deste projeto ainda não foram divulgados. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Yusuf Tuggar, afirmou que o futuro cabo de alta velocidade permitirá reforçar as comunicações digitais e facilitar a integração dos mercados africanos.
A Nigéria já está ligada a sete grandes cabos submarinos internacionais: WACS, SAT-3/WASC, MainOne, Glo-1, Equiano, 2Africa e ACE, além de uma ligação com os Camarões entre Kribi e Lagos.
Por seu lado, a Guiné Equatorial depende principalmente do cabo ACE para a sua conectividade internacional. O país dispõe também de ligações locais e regionais: o Ceiba-1 liga Malabo a Bata; o Ceiba-2 liga Malabo a Kribi (Camarões), passando por Bata; e o Ultramar GE liga a Guiné Equatorial a São Tomé e Príncipe.
Um fator para reduzir custos e acelerar a inclusão digital
Para além da melhoria da qualidade do serviço, o consórcio do cabo Medusa indica que o projeto permitirá reduzir os riscos de saturação face ao aumento da procura, ao mesmo tempo que reforça a redundância e a resiliência das redes críticas.
Segundo Norman Albi, diretor-geral da AFR-IX e do projeto Medusa Africa, esta infraestrutura deverá transformar a conectividade digital ao longo da costa atlântica africana, criando novas oportunidades de inovação, comércio e inclusão social.
A instalação de cabos submarinos está também associada à redução dos custos da Internet. De acordo com um estudo do Banco Mundial publicado em julho de 2024, cada duplicação da capacidade de cabos submarinos em África reduz, em média, o preço da banda larga fixa em 7% e da banda larga móvel em 13%.
Por fim, uma maior capacidade e resiliência podem favorecer a adoção da Internet e dos serviços digitais, num contexto de aceleração da transformação digital e persistência da exclusão digital. Segundo o DataReportal, a Guiné Equatorial contava com 1,18 milhão de assinaturas de Internet no final de 2025, o que corresponde a uma taxa de penetração de 60,4%.
Isaac K. Kassouwi













Palais des Expositions, Alger (Safex)