A fratura digital permanece particularmente marcada na Somália. Segundo dados da UIT, cerca de 72% da população não utilizava a Internet em 2024.
O operador de telecomunicações somali Hormuud anunciou, na terça-feira, 5 de maio, um programa de financiamento de smartphones. Desenvolvida em parceria com a empresa Get Phone, a iniciativa visa facilitar a aquisição destes dispositivos, permitindo que os utilizadores os paguem em prestações.
Segundo a Hormuud, o sistema prevê uma entrada inicial de 19 dólares, seguida de um reembolso diário de 0,60 dólar. Os beneficiários recebem um smartphone funcional, acompanhado de um pacote com dados móveis e minutos de chamadas. A elegibilidade é determinada em poucos segundos com base nos dados de utilização do cartão SIM e nas transações de dinheiro móvel. Não é exigida qualquer conta bancária nem histórico de crédito.
A primeira fase do programa prevê a colocação em circulação de 10 000 dispositivos até junho de 2026. O operador ambiciona atingir 100 000 unidades até ao final de 2026, com uma expansão progressiva para outras regiões, nomeadamente o Puntland e o Somaliland.
Um instrumento para a inclusão digital
Apresentada como o primeiro programa estruturado de financiamento de smartphones na Somália, esta iniciativa pode constituir um instrumento de inclusão digital. Surge num contexto em que os mecanismos de financiamento de dispositivos móveis se multiplicam em África, sendo a acessibilidade financeira um dos principais obstáculos à adoção da Internet móvel.
Num relatório publicado em dezembro de 2025, a Associação Mundial de Operadores de Telecomunicações (GSMA) indica que o preço médio de um smartphone de entrada de gama na África Subsariana era de 39 dólares em 2024. Este custo representava 26% do rendimento médio da população. Chegava a 64% para os 40% mais pobres e a 87% para os 20% mais pobres, contra 32% para as mulheres e 23% para os homens.
«A rede 4G da Somália cobre a maior parte do país. Mas quase metade do nosso parque de dispositivos ainda funciona em 2G ou com telemóveis básicos. Não porque a rede não exista, mas porque um smartphone ainda está fora do alcance», destaca a Hormuud num comunicado divulgado nas redes sociais.
Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a cobertura 4G atingia 61% da população somali em 2024, contra 90% para a 2G e 83% para a 3G. Apesar desta cobertura relativamente alargada, a taxa de penetração da Internet era de apenas 27,9%, enquanto 47,9% dos somalis possuíam um telemóvel, de todos os tipos combinados.
Isaac K. Kassouwi













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