Pela primeira vez, um construtor automóvel chinês passa do estatuto de exportador ao de fabricante local em África: a Jetour irá montar os seus SUV em Pretória, transformando a antiga fábrica da Nissan num novo polo industrial.
O fabricante chinês Jetour anunciou na quarta-feira, 29 de abril, que irá produzir os seus SUV todo-o-terreno T1 e T2 na África do Sul a partir de 2027, na fábrica de Rosslyn, que a sua empresa-mãe Chery está a adquirir à Nissan.
A Chery prevê uma capacidade de produção de 50.000 unidades por ano neste local e a criação de mais de 3.000 empregos na indústria transformadora e nas cadeias de abastecimento, segundo um comunicado publicado pela Jetour.
«Este anúncio de produção local da série T posiciona a África do Sul como uma componente integral das ambições globais da Jetour», declarou Nic Campbell, vice-presidente da Jetour África do Sul, no comunicado.
Uma fábrica com 60 anos de história automóvel muda de mãos
A fábrica de Rosslyn, localizada a cerca de 30 quilómetros a norte de Pretória, está em funcionamento desde 1966, segundo a Nissan. A venda à Chery SA, sujeita à aprovação das autoridades reguladoras, deverá ser concluída em meados de 2026. Cerca de 700 dos 800 trabalhadores da Nissan no local deverão ser integrados pelo novo proprietário chinês, em condições semelhantes, segundo a empresa japonesa.
A Nissan, que já só produzia a pickup Navara em Rosslyn após o fim do NP200, continuará presente no mercado sul-africano como importadora.
Uma expansão comercial antes da implantação industrial
A Jetour, filial do grupo Chery, já vendeu mais de 12.000 veículos na África do Sul desde a sua entrada no mercado em setembro de 2024. Os modelos T1 e T2, lançados em outubro de 2025, somam mais de 4.500 unidades vendidas.
A marca alcançou o 10.º lugar entre as mais vendidas em março de 2026, ultrapassando concorrentes como Kia, BMW e Nissan. O grupo Chery, no seu conjunto, liderou também o mercado de usados no primeiro trimestre de 2026.
A nível global, a Jetour vendeu 620.000 veículos em 2025, mais 11% do que no ano anterior, com 40% destinados à exportação. O objetivo é atingir 2 milhões de unidades até 2030.
A expansão chinesa reconfigura o setor automóvel africano
A instalação em Rosslyn ocorre num contexto de forte crescimento dos fabricantes chineses em África. A China tornou-se o maior exportador mundial de automóveis em 2023, com 4,91 milhões de veículos exportados.
O governo sul-africano saudou o investimento, destacando a preservação da atividade industrial e dos empregos.
A entrada da Jetour intensifica a concorrência num mercado dominado por Toyota, Volkswagen e Stellantis, enquanto a Nissan se reposiciona noutras partes do continente, incluindo um investimento no Egito para reforçar a sua capacidade de exportação regional.
Segundo analistas, observa-se uma reorganização industrial: fabricantes asiáticos tradicionais avançam para o norte de África, enquanto marcas chinesas consolidam a sua presença industrial no sul do continente.
Fiacre E. Kakpo













Landmark Centre, Victoria Island Lagos, Nigeria