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Numérico: a RDC corteja investidores dos Emirados Árabes Unidos e da Tunísia

Numérico: a RDC corteja investidores dos Emirados Árabes Unidos e da Tunísia
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2026

Muitos países africanos apostam na transformação digital para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico. Para tal, reforçam as parcerias com o setor privado, de modo a mobilizar financiamento, tecnologias e competências.

Augustin Kibassa Maliba, ministro da Economia Digital da RDC, reuniu-se na quinta-feira, 5 de fevereiro, com uma delegação da empresa The Founding, sediada nos Emirados Árabes Unidos, que veio apresentar projetos de centros de dados destinados a apoiar o desenvolvimento das infraestruturas digitais. Esta iniciativa insere-se na vontade das autoridades congolesas de atrair investimento estrangeiro para o setor e de desenvolver o ecossistema digital nacional.

Segundo Anand Madia, cofundador e conselheiro principal da The Founding, estas discussões permitiram compreender melhor as expectativas das autoridades congolesas. Acrescentou que «o ministro mostrou-se recetivo e sugeriu a criação de um comité ou de uma célula de trabalho encarregue de trocar informações sobre os diferentes projetos a desenvolver na RDC, identificar projetos conexos e definir as especificações técnicas necessárias à sua concretização, com o acompanhamento do seu ministério».

No mesmo contexto, o ministro recebeu igualmente a empresa tunisina Dirasset International, especializada em estudos de urbanismo e ordenamento do território, acompanhada pelo grupo Bayayi, presente nomeadamente nos setores da distribuição, agricultura, logística e seguros. Segundo o ministério, as trocas incidiram sobre as possibilidades de colaboração em torno de projetos estruturantes suscetíveis de apoiar as políticas públicas na República Democrática do Congo, sem mais pormenores sobre o componente digital.

Multiplicação de iniciativas para atrair investidores

No âmbito das suas ambições de transformação digital, as autoridades congolesas apostam no reforço de alianças estratégicas com o setor privado, tanto nacional como internacional, com o objetivo de partilhar conhecimentos e acelerar a inovação. A RDC prevê investir 1,5 mil milhões de dólares na transformação digital entre 2026 e 2030, em complemento dos financiamentos já mobilizados junto de parceiros internacionais.

Em dezembro passado, durante a Jornada de Reflexão sobre a parceria RDC–Estados Unidos, Augustin Kibassa Maliba sublinhou a importância de parcerias inovadoras com empresas norte-americanas, nomeadamente nos domínios das infraestruturas digitais, da inovação tecnológica, da cibersegurança e do desenvolvimento de competências digitais.

Em novembro, o ministro dos Correios e Telecomunicações, José Mpanda Kabangu, recebeu uma delegação da British International Investment (BII), que veio informar-se sobre as prioridades do governo congolês no setor das telecomunicações. Na ocasião, destacou a dimensão da fratura digital, com 145 territórios não ligados, cerca de 4 000 km de fibra ótica instalados face a uma necessidade estimada de 50 000 km, e 5 150 torres de telecomunicações contra pelo menos 30 000 necessárias.

Ao longo de 2025, foram feitos vários anúncios de parcerias destinadas a financiar projetos digitais. Em outubro, a RDC finalizou um acordo de 150 milhões de dólares com a empresa United Investment LMT (UIL), sediada nas Maurícias, para implantar até 80 000 km de fibra ótica, instalar um cabo submarino e construir três centros de dados. Em setembro, a empresa norte-americana Unity Development Fund manifestou a sua intenção de investir no digital congolês. Em agosto, o Fidelity Bank da Nigéria demonstrou interesse no financiamento de um projeto de satélite nacional de telecomunicações. Em fevereiro, foi igualmente assinado um acordo de mil milhões de dólares com a empresa indiana General Technologies.

Um potencial económico significativo, mas desafios estruturais persistentes

Embora a maioria destas iniciativas de parceria e financiamento ainda se encontre numa fase pouco avançada, inserem-se numa estratégia mais ampla do governo, que aposta no digital para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. Esta orientação, observada em vários países africanos, visa nomeadamente a digitalização do conjunto dos serviços públicos, de modo a aproximá-los dos cidadãos.

De forma mais ampla, a integração do digital nos diferentes setores da economia poderá gerar um valor acrescentado estimado em cerca de 4,1 mil milhões de dólares até 2029, segundo a GSMA. Na agricultura, a organização sublinha que a digitalização oferece um elevado potencial de melhoria da produtividade, graças, nomeadamente, a um melhor acesso à informação, a um acompanhamento mais eficaz das culturas, a um acesso facilitado aos mercados e à otimização da cadeia de valor. Estima que tal poderá gerar um valor acrescentado de 2 100 mil milhões de francos congoleses (cerca de 922 milhões de dólares) até 2029, 1,7 milhões de empregos adicionais e um aumento das receitas fiscais avaliado em 300 mil milhões de francos congoleses.

No entanto, a RDC continua a enfrentar importantes desafios estruturais. O país ocupa o 179.º lugar entre 193 no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI), com uma pontuação de 0,2725 em 1, inferior às médias sub-regional, africana e mundial. Regista o seu desempenho mais fraco no subíndice das infraestruturas de telecomunicações (0,1591).

Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), em 2023, as redes 2G, 3G e 4G cobriam respetivamente 75 %, 55 % e 45 % da população congolesa. A taxa de penetração da telefonia móvel situava-se em 55 %, contra 30,5 % para a Internet. Por seu lado, a GSMA estimava que cerca de 40 milhões de congoleses não utilizavam de todo a Internet móvel em 2023.

Em matéria de cibersegurança, a UIT classificou a RDC no terceiro nível do seu Índice Global de Cibersegurança 2024. O país apresenta resultados considerados relativamente satisfatórios ao nível do quadro legal, mas permanece atrasado no que diz respeito às medidas técnicas, ao desenvolvimento de capacidades e à cooperação.

Isaac K. Kassouwi

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