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O Zimbabué quer reforçar a sua resposta à ciberfraude impulsionada pela IA

O Zimbabué quer reforçar a sua resposta à ciberfraude impulsionada pela IA
Sexta-feira, 10 de Abril de 2026

As autoridades do Zimbabué estão a apostar na integração das TIC em todos os setores para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. No entanto, esta transformação digital gera novas vulnerabilidades que se torna essencial controlar para garantir o seu sucesso.

O governo zimbabueano pretende reforçar a sua resposta face ao aumento da ciberfraude alimentada pela inteligência artificial (IA). Esta dinâmica insere-se no quadro mais amplo dos esforços das autoridades para proteger o ciberespaço nacional contra ameaças crescentes.

A ministra das TIC, dos serviços postais e de correios, Tatenda Mavetera (foto, à direita), alertou para a situação durante a “Cyber Fraud and AI Summit 2026”, que teve lugar esta semana em Nyanga. Explicou que os cibercriminosos estão agora a explorar ferramentas de IA como clonagem de voz por deepfake, phishing automatizado e softwares maliciosos adaptativos para atingir indivíduos, empresas e sistemas governamentais.

«O inimigo dispõe agora de inteligência artificial. Não se pode combater uma máquina inteligente com um manual de regras tradicional — é preciso combater a IA com IA», declarou Mavetera.

Uma digitalização rápida, fonte de novas vulnerabilidades

A ministra sublinhou que a rápida digitalização da economia zimbabueana, impulsionada pela expansão do acesso à Internet, pela generalização da telefonia móvel e pelo crescimento dos serviços financeiros digitais, abriu novas brechas exploradas por cibercriminosos. Esta evolução já provoca perdas significativas.

Segundo os dados apresentados, a fraude ligada ao mobile money ultrapassa 30 milhões de dólares por ano no Zimbabué, enquanto os ataques de phishing e engenharia social aumentaram mais de 40% nos últimos anos. A nível mundial, a cibercriminalidade poderá custar mais de 10 biliões de dólares por ano, incluindo mais de 4 mil milhões de dólares em África, ilustrando a dimensão do desafio para as economias em desenvolvimento.

«O custo da ciberfraude não é apenas financeiro: corrói a confiança nos sistemas digitais e, sem confiança, não há transformação digital», lembrou a ministra.

Um arsenal institucional e tecnológico em construção

Para enfrentar esta ameaça crescente, o governo zimbabueano está a implementar várias medidas estruturantes. Um Centro Nacional de Operações de Segurança está em fase final de implementação, com cerca de 85% de execução, para centralizar a monitorização das ameaças. Uma equipa nacional de resposta a incidentes informáticos será também responsável por coordenar intervenções em caso de ciberataque.

Além disso, uma estratégia nacional de cibersegurança foi finalizada e aguarda aprovação do Conselho de Ministros, enquanto já está em curso um programa nacional de formação para reforçar competências em cibersegurança na população. As autoridades preveem igualmente endurecer o quadro legal para criminalizar o uso abusivo de tecnologias de IA, nomeadamente a criação de deepfakes e fraudes de identidade baseadas em inteligência artificial.

Mavetera anunciou também o lançamento próximo do programa “Zimbabwe AI Cyber Shield”, previsto para os próximos 12 meses. Este dispositivo incluirá o desenvolvimento de uma plataforma centralizada de deteção de fraudes baseada em IA, a formação de 10 000 profissionais de cibersegurança e a criação de um enquadramento jurídico para o uso ético da IA.

Paralelamente, a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial (2026–2030), lançada em março passado, visa aproveitar o potencial da IA para o crescimento económico, ao mesmo tempo que reforça as capacidades de defesa contra ameaças digitais emergentes.

A ministra sublinhou ainda a necessidade de uma abordagem colaborativa envolvendo o Estado, o setor privado, o meio académico e os cidadãos para combater eficazmente a ciberfraude. Atualmente, o Zimbabué encontra-se no quarto e penúltimo nível do Índice Global de Cibersegurança da União Internacional das Telecomunicações (UIT).

O país apresenta um desempenho relativamente sólido no quadro legal, com uma pontuação de 16,3/20. No entanto, continuam a ser necessários esforços noutras áreas, nomeadamente medidas técnicas, dispositivos organizacionais, cooperação internacional e desenvolvimento de capacidades. Obteve uma pontuação global de 39,85/100.

Isaac K. Kassouwi

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