Perante os obstáculos que ainda travam o comércio intra-africano, multiplicam-se as iniciativas para integrar melhor os sistemas digitais. O Gana está a explorar novas vias para tornar os intercâmbios mais fluidos e reduzir os custos das transações no continente.
A vice-presidente ganesa, Jane Naana Opoku-Agyemang, anunciou o lançamento iminente de um projeto-piloto de corredor comercial digital continental destinado a facilitar as transações transfronteiriças e apoiar a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. O anúncio foi feito na quarta-feira, 6 de maio, na abertura do 3i Africa Summit 2026, um encontro dedicado às tecnologias financeiras e ao futuro da economia digital africana.
A iniciativa será conduzida em parceria com vários países africanos, nomeadamente o Ruanda e a Zâmbia. O projeto pretende testar diferentes mecanismos destinados a agilizar os intercâmbios digitais no continente. Entre os dispositivos previstos estão a interoperabilidade dos serviços de mobile money, o reconhecimento mútuo das identidades digitais nos procedimentos Know Your Customer (KYC), bem como a harmonização da faturação eletrónica entre os países participantes.
Para as autoridades ganesas, este corredor digital deverá contribuir para reduzir os custos e os prazos que ainda dificultam o comércio intra-africano. Uma grande parte das transações do continente passa por sistemas financeiros localizados fora de África, o que gera custos adicionais e tempos de processamento mais longos. O projeto procura assim reforçar o uso de soluções africanas como o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), concebido para facilitar pagamentos diretos em moedas locais entre países africanos.
No entanto, os desafios permanecem numerosos para alcançar uma verdadeira integração digital do comércio africano. A fragmentação regulamentar entre Estados, a falta de interoperabilidade dos sistemas financeiros, a insuficiência das infraestruturas de cloud e de conectividade, bem como a ausência de quadros harmonizados para a gestão de dados e identidades digitais continuam a travar o desenvolvimento do mercado. As questões relacionadas com a soberania dos dados e a proteção dos utilizadores figuram igualmente entre os principais desafios destacados durante o encontro.
Esta iniciativa surge num momento em que o comércio eletrónico e os pagamentos digitais registam um forte crescimento no continente, impulsionados pelo aumento dos pagamentos móveis e pela melhoria da conectividade. Segundo a Comissão Económica para África (CEA), o comércio digital transfronteiriço africano poderá atingir 180 mil milhões de dólares em 2025 (5,2% do PIB), antes de subir para 712 mil milhões de dólares até 2050 (8,2% do PIB).
Samira Njoya













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.