O governo ugandês pretende generalizar o acesso aos serviços digitais. Segundo o executivo, a multiplicação das ligações internacionais nos últimos anos contribuiu para reduzir o custo da Internet.
As autoridades ugandesas apelam à produção local de telemóveis e computadores, de forma a reduzir os preços e fomentar a adoção dos serviços digitais. O anúncio foi feito pelo ministro das TIC e da Orientação Nacional, Chris Baryomunsi (foto, à direita), durante uma intervenção a 10 de fevereiro no Instituto Nacional de Liderança de Kyankwanzi, reportada pela imprensa local.
«Se os preços dos telemóveis, computadores e da Internet baixarem, a população poderá efetuar transações através dos seus telemóveis, estudar online e aceder mais facilmente aos serviços. É este o objetivo do governo», declarou Baryomunsi.
Esta iniciativa surge num contexto em que a acessibilidade a dispositivos capazes de se ligar à Internet é considerada um dos principais obstáculos à adoção do digital, segundo a GSMA. A organização salienta que, apesar da multiplicação, no continente, de modelos de smartphones abaixo dos 100 dólares nos últimos anos, estes dispositivos continuam fora do alcance de muitas pessoas. A GSMA lançou recentemente uma coligação com operadores africanos para desenvolver smartphones 4G a 30–40 dólares.
No Quénia vizinho, uma parceria público-privada permitiu o lançamento, em outubro de 2023, de uma fábrica de montagem de smartphones de baixo custo. Em janeiro passado, as autoridades indicaram que cinco milhões de dispositivos já tinham sido montados no país, sendo vendidos entre 6000 e 8000 xelins quenianos (46,5 a 62,2 dólares).
Apesar destes custos relativamente baixos, um relatório da GSMA publicado em outubro de 2025 revela que a adoção dos smartphones montados localmente continua modesta. Os consumidores percebem-nos frequentemente como de menor qualidade e menos atrativos do que as marcas internacionais bem conhecidas, como Infinix, Itel, Redmi ou Vivo, também presentes no segmento de smartphones económicos. Segundo a GSMA, estas observações mostram que as iniciativas de montagem devem ser acompanhadas de estratégias de construção de marca e de reforço da confiança dos consumidores para competir eficazmente no mercado.
Para além do smartphone ou de dispositivos de acesso à Internet, vários outros fatores influenciam a adoção e utilização do digital. Entre eles estão a cobertura de rede, o custo da Internet, as competências digitais, a disponibilidade de conteúdos relevantes, a qualidade da experiência e questões de segurança ou normas sociais.
Segundo dados da Uganda Communications Commission (UCC), o país contava com cerca de 45,7 milhões de assinaturas móveis ativas no final de setembro de 2025, contra apenas 17 milhões de assinaturas de Internet ativas, para uma população de cerca de 50 milhões de habitantes. Contudo, estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que o regulador conta cada cartão SIM ligado como um assinante, embora uma pessoa possa possuir vários. O mesmo raciocínio aplica-se aos smartphones, cujo número ascendia a cerca de 19 milhões.













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