Com mais de 44 milhões de assinantes, a AXIAN Telecom afirma-se como um ator de relevo nas telecomunicações em África. A empresa multiplica parcerias para apoiar o crescimento dos seus serviços digitais e acelerar o seu desenvolvimento nos mercados onde opera.
O operador panafricano AXIAN Telecom anunciou, a 10 de fevereiro, a assinatura de um protocolo de acordo estratégico com o grupo chinês Huawei. O acordo, concluído em janeiro em Xangai, visa acompanhar a modernização das suas infraestruturas e apoiar o desenvolvimento de ecossistemas digitais mais inclusivos nos seus mercados africanos.
“Esta parceria reflete os valores fundamentais da AXIAN Telecom – compromisso de longo prazo, capacitação local e crescimento responsável. Trabalhando em estreita colaboração com a Huawei, reforçamos a nossa capacidade de fornecer serviços digitais de alta qualidade, ao mesmo tempo que desenvolvemos as competências digitais de que África precisa para competir e prosperar na economia global”, declarou Hassan Jaber, CEO da AXIAN Telecom.
O protocolo de acordo assenta em três pilares: conectividade digital, finanças digitais e transformação operacional. Prevê uma modernização conjunta das infraestruturas de rede, a expansão da oferta de serviços de valor acrescentado, bem como a integração de tecnologias de nova geração destinadas a melhorar a acessibilidade, a qualidade e a segurança dos serviços nos países onde o grupo opera.
A parceria foca-se, nomeadamente, no desenvolvimento de soluções escaláveis, incluindo 5G, arquiteturas de rede baseadas em cloud, plataformas digitais avançadas, bem como ferramentas de operação com integração de inteligência artificial. Estas tecnologias permitirão ao operador otimizar os custos operacionais, aumentar a capacidade das redes e oferecer serviços mais eficientes a particulares, empresas e administrações públicas.
Um continente ainda em busca de aproximação digital
Esta iniciativa surge num momento em que África apresenta uma dinâmica contrastante em termos de conectividade. Segundo o relatório “The Mobile Economy Africa 2025” da GSMA, cerca de 416 milhões de pessoas utilizam atualmente Internet móvel no continente. No entanto, aproximadamente 75% da população continua sem acesso à Internet móvel e cerca de 960 milhões de africanos ainda não usam a Internet, apesar da existência de cobertura de rede.
O atraso é ainda mais evidente nas tecnologias de nova geração. De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a 5G representa apenas cerca de 1,2% das subscrições móveis na África subsaariana. Este desfasamento tecnológico limita o desenvolvimento de serviços digitais de alto valor acrescentado, nomeadamente aqueles baseados em cloud, aplicações industriais ou inteligência artificial.
Neste contexto, os operadores de telecomunicações são forçados a investir maciçamente para modernizar as suas infraestruturas, mantendo serviços acessíveis em mercados sensíveis ao preço. As parcerias tecnológicas surgem assim como um alicerce para partilhar know-how, acelerar o lançamento de serviços e otimizar custos.
Para a Huawei, esta colaboração representa a oportunidade de consolidar a sua presença junto dos operadores africanos. O grupo chinês indicou querer “levar tecnologia de ponta e inovação aos mercados locais, apoiando o desenvolvimento sustentável, melhorando a conectividade e enriquecendo a experiência digital” no continente.
Economia digital: um motor de transformação estrutural
Para além do acordo bilateral, a modernização das infraestruturas digitais representa um desafio macroeconómico de grande importância para África. Segundo a GSMA, o setor móvel já contribui com mais de 7% do PIB africano, e esta fatia deverá continuar a crescer à medida que se expandem a conectividade de alta velocidade, os serviços financeiros digitais, o comércio eletrónico e as soluções baseadas em inteligência artificial.
Para a AXIAN Telecom, presente em nove países africanos — incluindo Madagáscar, Comores, Tanzânia, Togo, Uganda, RDC e Senegal — o objetivo é apoiar esta dinâmica em mercados caracterizados por forte crescimento demográfico e elevada procura por conectividade e serviços financeiros móveis. O grupo conta já com vários milhões de assinantes e continua a expandir as suas infraestruturas num ambiente competitivo dominado por grandes operadores panafricanos.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc