República Democrática do Congo (RDC) procura novos financiamentos para acelerar implementação de projetos de infraestrutura digital;
A British International Investment (BII) sinalizou interesse no setor de telecomunicações congolês, que necessita de 50.000 km de fibra ótica e 30.000 torres de telecomunicações.
Autoridades congolesas apostam no digital para o desenvolvimento socioeconômico nacional. Ainda assim, cerca de 70% da população não tinha acesso à internet em 2023, conforme dados da UIT.
A República Democrática do Congo (RDC) continua a buscar novas fontes de financiamento para acelerar a implementação de seus projetos de infraestrutura digital. Nesta semana, José Mpanda Kabangu, ministro das Comunicações e Telecomunicações, recebeu uma delegação da British International Investment (BII) para discutir as prioridades do governo congolês no setor de telecomunicações.
Segundo o Scoop RDC, Christopher Chijiutomi, diretor geral e chefe da região africana da BII, destacou que a instituição possui um fundo total de 8 bilhões de dólares e investe cerca de 1 bilhão por ano em projetos de grande impacto socioeconômico.
"Nosso país é imenso, mas mal conectado. Existe uma grande lacuna digital. Temos 145 territórios desprovidos de conexão que necessitam de investimentos e nossas portas estão abertas a investidores privados", declarou o ministro. Ele ressaltou que a RDC atualmente tem apenas 4.000 km de fibra ótica, quando a necessidade é estimada em 50.000 km, além de 5.150 torres de telecomunicações, enquanto o objetivo é de pelo menos 30.000.
Essa aproximação acontece após várias notícias importantes: em outubro de 2025, a RDC finalizou um acordo de 150 milhões de dólares com a empresa mauriciana United Investment LMT (UIL) para instalar até 80.000 km de fibra ótica, construção de um cabo submarino e três centros de dados. Em setembro, o fundo americano Unity Development expressou interesse em investir no setor digital congolês. Em agosto, o Fidelity Bank da Nigéria mostrou interesse em financiar o projeto de satélite de telecomunicações nacional. Em fevereiro, um acordo de um bilhão de dólares foi assinado com a empresa indiana General Technologies.
O desenvolvimento de infraestruturas digitais é um dos quatro pilares do Plano Nacional Digital 2026-2030 (PNN2), lançado em outubro de 2025, que visa tornar a RDC um hub digital regional. Para apoiar essa estratégia, o governo planeja um investimento público de um bilhão de dólares em cinco anos, complementado por 500 milhões de dólares já levantados junto a parceiros internacionais.
A infraestrutura digital é essencial para garantir o acesso aos serviços de telecomunicações. Em 2023, as redes 2G, 3G e 4G cobriam respectivamente 75%, 55% e 45% da população congolês. O índice de penetração da telefonia móvel era de 55%, comparado a 30,5% para a internet. A GSMA avalia que 40 milhões de congoleses não usavam a internet móvel naquele ano.
Diminuir essa lacuna digital é crucial em um momento em que o digital é visto como um motor de desenvolvimento. O executivo quer digitalizar todos os serviços públicos para aproximá-los dos cidadãos, com aplicações previstas para todos os setores da economia. De acordo com a GSMA, a continuação da digitalização poderia agregar cerca de 4,1 bilhões de dólares à economia congolês até 2029.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc