Pagamentos móveis tornam-se vetor de inclusão financeira no Egito
Os pagamentos móveis estão a consolidar-se como um instrumento de inclusão financeira em África. Milhões de pessoas possuem um telemóvel e uma conta de dinheiro móvel, mesmo sem acesso a contas bancárias tradicionais.
A fintech egípcia Tpay celebrou um acordo com a Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA) para se tornar o fornecedor autorizado de faturação direta por operador (DCB) no país para pagamentos relacionados com o governo. O anúncio foi feito na quinta-feira, 11 de dezembro.
O acordo, assinado por Ahmed Nabil, CEO da Tpay, e pelo presidente da NTRA, Mohamed Shamroukh, autoriza a empresa a permitir que os cidadãos paguem uma ampla gama de serviços governamentais — incluindo contas de eletricidade, multas de trânsito e taxas de registos civis — usando o saldo do telemóvel ou a fatura mensal. Segundo a empresa, a iniciativa visa simplificar o processo de pagamento dos serviços públicos, eliminando a necessidade de cartões bancários ou transações presenciais.
O CEO do Tpay Group, Isik Uman, qualificou este avanço como um passo para estabelecer uma infraestrutura nacional de pagamentos digitais. «Com este quadro autorizado, estamos a lançar as bases de um canal nacional de pagamento digital que amplia o acesso, melhora a conveniência e apoia a economia digital em constante evolução do Egito», afirmou num comunicado.
A iniciativa foi concebida com foco na inclusão financeira, oferecendo uma solução aos egípcios que possuem telemóvel mas não têm acesso a serviços bancários tradicionais. Em setembro de 2025, o Egito registava mais de 120 milhões de assinaturas móveis, correspondendo a uma taxa de penetração de aproximadamente 109%. Esta conectividade móvel generalizada constitui uma plataforma poderosa para alcançar populações mal servidas com soluções de pagamento digital.
Com esta licença, a Tpay posiciona-se como o principal facilitador de pagamentos governamentais via mobile no Egito. O seu modelo, independente dos bancos, integra-se diretamente nos sistemas governamentais, ampliando o acesso a uma base de utilizadores mais ampla, incluindo pessoas sem conta bancária, conferindo-lhe uma vantagem clara sobre concorrentes fintech dependentes de bancos.
Esta iniciativa enquadra-se na estratégia mais ampla do Egito de digitalização dos serviços públicos e promoção da inclusão financeira, aproveitando a elevada penetração móvel para expandir o acesso a transações governamentais essenciais a todos os segmentos da sociedade.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc