Desde a sua entrada em África pelo Nigéria em janeiro de 2023, a Starlink tem multiplicado as suas instalações. Presente em cerca de trinta mercados, incluindo Ruanda, Senegal, Benim, Gana, Níger, Chade e Quénia, a empresa continua a sua expansão, agora com a República Centro-Africana.
O fornecedor americano de serviços de Internet via satélite Starlink anunciou, na segunda-feira, 16 de março, a disponibilidade dos seus serviços comerciais na República Centro-Africana. As autoridades locais pretendem apoiar-se nesta tecnologia para melhorar a qualidade e a cobertura da Internet em todo o país, incluindo nas zonas mais remotas.
Num comunicado publicado no Facebook, o Ministério da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações indica que este lançamento resulta de uma parceria com o distribuidor de equipamentos informáticos DEVEA Centrafrique.
Para aceder ao serviço, os centro-africanos terão de pagar 33.000 FCFA (57,76 USD) por mês, acrescidos de IVA de 19%. Quanto ao terminal, podem optar pelo kit padrão a 240.000 FCFA (420,5 USD) ou pelo kit “Mini”, mais compacto, comercializado a 123.000 FCFA.
Promessa de conectividade universal
As autoridades centro-africanas contam com a Starlink para reduzir a fractura digital no país, onde cerca de 86% da população não utilizava Internet em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT).
“Com base em soluções satelitais de alta velocidade, a Starlink pretende ampliar a cobertura nacional e reforçar a resiliência das comunicações num país confrontado com desafios significativos nas infraestruturas terrestres”, declarou o ministério num comunicado publicado em dezembro de 2025, após a atribuição da licença à empresa de Elon Musk.
De facto, a Starlink apoia-se numa constelação de satélites em órbita baixa, atualmente com cerca de 10.000 satélites, para fornecer os seus serviços, garantindo cobertura nacional, mesmo em zonas de difícil acesso para redes terrestres.
A GSMA considera que soluções de conectividade aérea, incluindo via satélite, desempenharão um papel importante na realização da conectividade universal na África Subsaariana.
“A região alberga alguns dos terrenos mais difíceis para redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias montanhosas. Mesmo em áreas rurais e pouco povoadas, o custo e a complexidade de implementar redes móveis ou fixas convencionais favorecem soluções alternativas”, destaca a organização no relatório “The Mobile Economy Sub-Saharan Africa 2024”.
Na sua plataforma Mobile Connectivity Index, a GSMA atribuiu à República Centro-Africana uma pontuação de 30/100 em cobertura de rede móvel em 2024. A 2G tinha cobertura de 59,6%, a 3G 60%, enquanto a 4G e 5G eram inexistentes.
Em termos de desempenho, a plataforma atribuiu ao país uma pontuação de 4,2/100. As velocidades médias registadas foram de 5,4 Mbps para download móvel e 7 Mbps para upload, segundo dados do Speedtest (Ookla).
Mas desafios de adoção
Apesar da chegada da Starlink poder ampliar a cobertura de Internet na República Centro-Africana, isso não garante automaticamente a adoção pelos cidadãos. Um dos principais desafios em todo o continente continua a ser o custo dos serviços, frequentemente inacessível para grande parte da população.
Por exemplo, com uma assinatura mensal de 57,76 USD, o serviço da Starlink representa cerca de 136% do RNB mensal per capita, estimado em 510 USD por ano em 2024, segundo o Banco Mundial. Mesmo excluindo o custo já elevado do terminal, este valor permanece muito acima do limiar de acessibilidade de 2% definido pela UIT. A organização estima que 5 GB de Internet móvel representavam cerca de 53,7% do RNB per capita em 2025, contra 76,6% para Internet fixa.
Além da questão do custo, vários outros fatores influenciam a adoção:
- Acesso a dispositivos compatíveis com Internet (computadores, tablets, smartphones), cujo preço continua elevado — a GSMA estima que o preço de um smartphone represente cerca de 26% do PIB mensal per capita na África Subsaariana, contra uma média de 16% nos países de rendimento baixo e médio (PRFI)
- Alfabetização digital, preocupações com segurança, normas sociais
- Disponibilidade de conteúdos relevantes e qualidade da experiência do utilizador
Isaac K. Kassouwi












