IHS Towers apresenta-se como um dos maiores proprietários, operadores e desenvolvedores independentes de infraestruturas de telecomunicações partilhadas no mundo. A empresa afirma ter 37.000 torres em sete países africanos, incluindo Camarões, Costa do Marfim, Nigéria, África do Sul e Zâmbia.
O grupo de telecomunicações sul-africano MTN Group dá mais um passo em direção ao controlo da operadora de torres de telecomunicações IHS Towers, da qual já detém cerca de 25% do capital. A empresa com sede em Joanesburgo indicou, em um comunicado divulgado na terça-feira, 17 de fevereiro, que o conselho de administração da IHS aceitou uma oferta de 8,50 dólares por ação, avaliando a empresa em 6,2 bilhões de dólares.
“Esta transação proposta representa um passo decisivo para fortalecer ainda mais a posição estratégica e financeira do grupo MTN em um futuro onde as infraestruturas digitais se tornarão cada vez mais essenciais para o crescimento e desenvolvimento da África. Esta operação oferece-nos uma oportunidade única de recomprar as nossas torres e consolidar a nossa capacidade de sermos parceiros do progresso para os Estados onde operamos”, declarou Ralph Mupita (foto, à esquerda), CEO do grupo MTN.
Este desenvolvimento ocorre cerca de duas semanas depois de o MTN ter anunciado que iniciou discussões no âmbito desta transação. A empresa já havia vendido várias de suas carteiras de torres de telecomunicações à IHS Towers em mercados como Nigéria, Camarões, África do Sul, Ruanda, Costa do Marfim e Zâmbia.
Este movimento faz parte de um contexto onde o grupo busca diversificar-se para concretizar sua ambição de se tornar o principal fornecedor de infraestruturas, soluções e serviços digitais no continente. A empresa já mirou segmentos como inteligência artificial (IA), fibra ótica e centros de dados.
As torres de telecomunicações são estratégicas, pois formam a base da infraestrutura dos serviços de telefonia móvel. A demanda por essas infraestruturas deve crescer nos próximos anos na África, onde estão em andamento esforços para generalizar o acesso aos serviços de telecomunicações. Além das zonas rurais e remotas que serão conectadas pela primeira vez, as redes também precisarão ser densificadas nas áreas já cobertas, paralelamente à implementação da 4G e 5G. Estas duas últimas gerações de tecnologias móveis cobriam, respetivamente, 75,2% e 11,8% da população africana em 2025, segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT).
Vale lembrar que ambas as partes preveem finalizar a transação até o final de 2026. No entanto, a operação ainda está sujeita a várias autorizações, incluindo a retirada da IHS da Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE). Ela também precisa ser aprovada pelos acionistas da IHS. Cerca de 40% dos direitos de voto já foram garantidos, o que representa pelo menos dois terços das vozes necessárias. A transação está ainda condicionada à obtenção das autorizações regulatórias nos mercados envolvidos, bem como ao cumprimento das condições habituais de fechamento.
Isaac K. Kassouwi













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