O vandalismo contra infraestruturas de telecomunicações é um fenómeno comum em vários mercados, mas os seus impactos são particularmente graves em países como a República Centro-Africana, onde a infraestrutura digital nacional já é frágil.
O governo centrafricano alertou na semana passada para o aumento de atos de vandalismo direcionados à rede nacional de fibra óptica, que comprometem a qualidade e a disponibilidade dos serviços.
Num comunicado divulgado na sexta-feira, 13 de março, o Ministério da Economia Digital, dos Correios e das Telecomunicações informou sobre dois incidentes distintos. No primeiro, o troço Bangui–Boali teve o cabo desenterrado e queimado, causando danos significativos. No eixo Carnot–Berbérati, o cabo de fibra óptica foi cortado com machete por indivíduos mal-intencionados.
O ministério acrescenta que a empresa pública camaronesa Camtel, parceira de conectividade internacional da República Centro-Africana, também reportou incidentes similares, incluindo nos segmentos Limbé–Batoké e Bangui–Boali, a cerca de doze quilómetros da capital. A imprensa local também documentou vários casos.
« Estes atos de vandalismo causaram interrupções nos serviços de telecomunicações, afetando populações e empresas dependentes da fibra óptica », declarou o ministério. Equipas técnicas foram enviadas para avaliar os danos, proteger as instalações e restaurar a operação da rede.
Infraestrutura recente e estratégica
Os atos de vandalismo atingem uma rede de fibra óptica relativamente nova, em serviço desde 2023, como parte do projeto Central African Backbone (CAB), que visa conectar os países da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) através de infraestruturas de alta velocidade.
Na República Centro-Africana, foram instalados 935 km de fibra para ligar o país à República do Congo e ao Camarões, funcionando como backbone nacional e porta de acesso à conectividade internacional, essencial para um país sem ligação direta a cabos submarinos.
Antes da sua implementação, quase toda a capacidade internacional dependia de ligações via satélite, segundo a « Avaliação da Economia Digital na República Centro-Africana » do Banco Mundial (2020), limitando a concorrência e mantendo preços elevados, tornando o mercado menos atraente para investidores privados devido aos custos de instalação e manutenção.
Assim, qualquer degradação da rede pode ter efeitos sistémicos, podendo alguns incidentes provocar cortes mais amplos, afetando grandes áreas do país ou mesmo toda a rede.
Responsabilidade coletiva contra o vandalismo
As autoridades centro-africanas defendem que a proteção da infraestrutura de fibra óptica é uma responsabilidade coletiva. « Estamos perante uma situação preocupante que exige ação rápida e coordenada para proteger as nossas infraestruturas críticas », afirmou Gauthier Guezewane Gbowe, encarregado de missão do ministério para a economia digital.
O ministério apelou às autoridades locais e forças de segurança para reforçar a vigilância das infraestruturas estratégicas. As comunidades locais são incentivadas a denunciar comportamentos suspeitos e os operadores a intensificar medidas de segurança e manutenção preventiva.
Outros países africanos também adotaram medidas contra o vandalismo. Na Nigéria, cerca de 50 000 incidentes de corte de fibra foram reportados em 2024, levando o governo a criminalizar danos às infraestruturas de telecomunicações. Na Gâmbia, uma política de abril de 2023 prevê multas mínimas de 500 000 dalasis (cerca de 6 800 dólares) por danos à rede, e a empresa pública de telecomunicações implementou um sistema de recompensas por denúncias.
Por todo o continente, operadores, reguladores e Estados apostam no reforço do quadro legal, campanhas de sensibilização e coordenação reforçada, entre outras medidas.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc