A digitalização das portagens acelera-se na África Ocidental, impulsionada pela necessidade de fluidificar o tráfego e modernizar a gestão das infraestruturas rodoviárias. No Benim, esta transição inicia-se num contexto de pressão crescente sobre corredores estratégicos e de transformação das práticas de mobilidade.
No Benim, foi lançado na quarta-feira, 18 de março, um serviço de portagem automatizado destinado a desmaterializar o pagamento das taxas rodoviárias nos postos de cobrança. Iniciativa da Sociedade de Infraestruturas Rodoviárias e Ordenamento do Território (SIRAT SA), este sistema, denominado SIRATPay, visa melhorar a fluidez do trânsito, reforçar a transparência das operações e reduzir o uso de numerário nas vias com portagem.
O seu lançamento ocorre num contexto marcado pelo aumento do parque automóvel nacional, enquanto as restrições à fluidez do tráfego se acentuam, sobretudo em corredores transnacionais como a estrada inter-Estados Cotonou–Lagos, uma artéria muito movimentada devido à intensidade do comércio entre o Benim e a Nigéria.
“Em 2025, foram registadas mais de 16 milhões de passagens na rede SIRAT, com uma dependência quase total dos pagamentos em numerário. O resultado: longas filas de espera, perda de tempo para os utentes e limitações operacionais significativas. Este modelo já não responde às exigências atuais de mobilidade”, explicou Ranti Akindès, diretor-geral da SIRAT SA.
Uma modernização progressiva da gestão do tráfego
Esta iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla destinada a modernizar os serviços rodoviários e a melhorar a gestão do tráfego. Neste âmbito, o governo anunciou, no início do mês, a instalação próxima de um sistema de videovigilância em cinco cidades e em algumas localidades fronteiriças. O objetivo é reforçar a segurança pública e a monitorização dos fluxos transfronteiriços, ao mesmo tempo que se melhora a supervisão do tráfego urbano e interurbano.
Para além disso, estas reformas no Benim estão alinhadas com uma tendência observada na África Ocidental, marcada pela transformação dos modelos de gestão do tráfego num contexto de crescimento urbano e intensificação dos desafios de mobilidade. Na Costa do Marfim, por exemplo, sistemas de portagem automatizada e videomonitorização já estão implementados, enquanto projetos de videovigilância decorrem em países como a Guiné e o Senegal.
Contudo, persistem desafios relacionados com as condições operacionais. A disponibilidade de conectividade estável, a manutenção dos equipamentos, a proteção dos dados recolhidos e a formação do pessoal responsável pela operação do sistema figuram entre os principais obstáculos a superar.
Henoc Dossa












