A GSMA em conjunto com sete grandes operadoras africanas (Airtel, Axian Telecom, Ethio Telecom, MTN, Orange e Vodacom) unem-se para alargar o acesso dos africanos ao smartphone.
O acordo apresentado visa um padrão técnico mínimo (memória/RAM, tela, bateria, câmera, etc.), garantindo um aparelho de qualidade oferecendo uma experiência 4G durável, a um custo entre $30 e $40.
A internet é atualmente reconhecida como um serviço crucial para o desenvolvimento. Contudo, seu acesso enfrenta vários obstáculos, entre os quais o alto custo dos dispositivos móveis. A Associação Global de Operadoras de Telecomunicações (GSMA) e sete grandes operadoras africanas (Airtel, Axian Telecom, Ethio Telecom, MTN, Orange e Vodacom) estão empenhadas em ampliar o acesso dos africanos aos smartphones. Na terça-feira, 21 de outubro, durante o Mobile World Congress em Kigali, Ruanda, apresentaram um acordo sobre um padrão técnico mínimo (memória/RAM, tela, bateria, câmera, etc.), garantindo um aparelho de qualidade oferecendo uma experiência 4G "suficiente" e durável, a um custo entre $30 e $40.
De acordo com a GSMA, o valor dos componentes físicos de um smartphone (tela, processador, memória, rádio, bateria, etc.) representa 50 a 70% do seu custo total. No entanto, nenhum componente, quando considerado individualmente, permite reduzir o preço sem comprometer a experiência do usuário (memória insuficiente, câmera medíocre, bateria que superaquece, etc.). Uma redução duradoura nos preços requer otimização do valor dos componentes, produção em volume (efeitos de escala) e racionalização de todo o processo de produção: patentes, licenças, logística, margens dos distribuidores. A padronização permite que todos solicitem o mesmo modelo, incentivando os fornecedores (telas, baterias, etc.) a reduzirem seus preços graças aos grandes volumes. O objetivo do padrão GSMA é precisamente isto: unir os pedidos em torno de um modelo único, tranquilizar os fabricantes e permitir uma produção em grande escala a um custo mais baixo.
Para concretizar esta visão, a coalizão contará com dois alavancas. Nos próximos meses, a GSMA planeja colaborar com os fabricantes de equipamentos originais (OEM) e empresas de tecnologia para discutir requisitos mínimos e obter seu apoio para aparelhos 4G acessíveis. Paralelamente, ela incentiva os governos africanos a abolir rapidamente os impostos sobre smartphones de gama baixa, cujo preço é inferior a 100 dólares. Por exemplo, na África do Sul, em março de 2025, as autoridades aboliram os direitos aduaneiros para smartphones que custem menos de 2.500 randes ($136), a fim de derrubar a barreira de acesso para famílias de baixo renda.
"Em alguns países, o IVA e os direitos aduaneiros podem aumentar o preço dos aparelhos em mais de 30%, o que aumenta diretamente o custo para os cidadãos e impede a inclusão digital", denuncia a Associação. Vivek Badrinath, CEO da GSMA, esclarece: "O acesso a um smartphone não é um luxo, é um link vital para serviços essenciais, oportunidades de renda e participação na economia digital. Ao se unirem em torno de uma visão comum para aparelhos 4G acessíveis, os principais operadores africanos e a GSMA enviam uma forte mensagem aos fabricantes e aos tomadores de decisão."
Na África, o principal obstáculo ao acesso a serviços móveis não é mais a cobertura da rede, mas o custo dos telefones. Ao longo da última década, as empresas de telefonia investiram pesadamente para expandir sua cobertura e atender à crescente demanda por conectividade. Assim, em 2024, a cobertura móvel no continente atingiu 86% para 3G, 71% para 4G e 11% para 5G, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (ITU). No entanto, apenas 52% dos africanos estavam conectados à internet móvel de alta velocidade.
A GSMA Intelligence estima que um smartphone de $40 poderia permitir que 20 milhões de pessoas adicionais na África subsaariana acessassem a internet móvel, enquanto um aparelho de $30 poderia conectar 50 milhões de pessoas.
A proposta de democratização do smartphone não é trivial para os operadores de telecomunicações: significa um maior número de usuários da internet e, consequentemente, um aumento em sua receita de dados.
Mas tornar o smartphone realmente acessível não se resume a apenas reduzir o preço. É necessário combinar várias estratégias para diminuir a barreira de entrada e garantir um uso duradouro. O financiamento desempenha um papel chave: oferecer pagamentos parcelados através de operadoras ou microcréditos adaptados a rendas irregulares, com total transparência sobre as taxas e seguro em caso de falha, facilita o acesso. O serviço pós-venda é igualmente importante: disponibilidade de uma rede de reparo de proximidade, peças sobressalentes disponíveis e preços limitados prolongam a vida útil dos aparelhos, reduzem o desperdício e protegem o poder de compra.
As habilidades digitais também são cruciais. Muitas pessoas ainda percebem o smartphone como um produto de luxo simplesmente porque não sabem como usá-lo. Treinar os usuários nas funções básicas aumenta sua autonomia e valoriza o aparelho, o que relativiza seu custo em relação à sua utilidade diária.
Ao combinar essas diferentes estratégias, a aquisição de um smartphone torna-se um verdadeiro investimento. O aparelho transforma-se em uma ferramenta de trabalho, educação e acesso a direitos essenciais. Para que essa dinâmica funcione a longo prazo, é necessário que políticas públicas e a indústria co-criem caminhos completos, desde a compra até a manutenção, para que o smartphone se torne um vetor duradouro de inclusão digital.
Muriel Edjo












