O Burkina Faso continua os seus esforços em prol do desenvolvimento da sua infraestrutura digital nacional, pilar da transformação digital. Recentemente, o país iniciou a construção de um centro responsável pela supervisão destas infraestruturas estratégicas.
As autoridades burquinenses anunciaram a inauguração, na sexta-feira, 23 de janeiro, de dois mini-datacenters destinados à administração pública. Com um custo estimado de 16 mil milhões de francos CFA (28,6 milhões de USD), esta infraestrutura insere-se na estratégia de soberania digital do país, que promove a hospedagem de dados nacionais em território burquinense.
«Este projeto constitui uma etapa intermédia rumo à construção de um Big Datacenter nacional, destinado a repatriar todos os dados digitais da administração pública e do setor privado atualmente alojados no exterior», indicou o Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Telecomunicações num comunicado publicado no Facebook.
Segundo os dados oficiais, os dois mini-datacenters terão uma capacidade de armazenamento de cerca de 3000 terabytes, ou seja, dez vezes a capacidade existente. Poderão suportar mais de 7000 máquinas virtuais ligadas, com cada ministério podendo alojar entre 100 e 300 servidores virtuais para o desenvolvimento das suas plataformas digitais.
Esta iniciativa enquadra-se na vontade das autoridades de fazer do digital um motor de desenvolvimento socioeconómico e de posicionar o Burkina Faso como um ator de referência na integração das TIC em setores-chave como a administração pública, educação, saúde, comércio e agricultura. Alinha-se, em particular, com um dos 12 grandes projetos da transformação digital do país: o princípio do «zero dados no exterior». A longo prazo, as autoridades antecipam uma poupança de cerca de 30 mil milhões de francos CFA em cinco anos, graças à redução dos custos de alojamento no exterior.
Soberania digital em África: para além das infraestruturas
Embora o desenvolvimento de centros de dados locais constitua um avanço rumo à soberania digital, esta não se limita às infraestruturas. Segundo o Centro Africano de Estudos Estratégicos (ACSS), a pilha tecnológica inclui também aplicações, sistemas operativos, produtos de consumo e prestadores de serviços, segmentos ainda largamente dominados por atores estrangeiros.
Num relatório publicado em dezembro de 2024, o ACSS destaca, por exemplo, a dominação da Google e Meta na camada de aplicações, bem como a dos sistemas operativos americanos Android, iOS e Windows. O fornecimento de terminais móveis continua a ser maioritariamente assegurado por fabricantes asiáticos (chineses e sul‑coreanos), com uma presença notável da Apple (EUA). Mesmo entre os prestadores de serviços, nota-se a presença de grupos estrangeiros como Orange (França), Airtel (Índia), Africell (EUA) e Vodafone (Reino Unido).
Para reduzir esta dependência, o Centro recomenda diversificar a oferta e reforçar a concorrência, enquanto se espera o surgimento de ferramentas tecnológicas locais. Recomenda também colocar a cibersegurança como prioridade, incentivando Estados, empresas e particulares a privilegiar soluções seguras, ao mesmo tempo que se reforçam as capacidades nacionais de proteção das infraestruturas críticas.
Neste domínio, o Burkina Faso posicionou-se no terceiro nível entre cinco do Índice Global de Cibersegurança da União Internacional das Telecomunicações (UIT) em 2024. O país mostra progressos no quadro institucional, legislativo e de cooperação, mas ainda apresenta lacunas nas capacidades técnicas e no desenvolvimento de competências.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc