Face à la ascensão das super apps em África, a EcoCash está a evoluir o seu modelo. Esta mudança de posicionamento ilustra uma viragem no setor, marcada pela convergência dos serviços digitais e pela procura de novas fontes de valor.
O principal serviço de dinheiro móvel no Zimbabué, a EcoCash, que afirma ter mais de 8 milhões de contas no país, anunciou na quinta-feira, 23 de abril, a transformação da sua plataforma numa “super app”. Este pivô estratégico marca a passagem de uma simples carteira eletrónica para um ecossistema digital integrado, onde chat, pagamentos sociais e serviços do quotidiano convergem numa única interface.
A principal inovação desta super app reside no “pagamento social”. A partir de agora, os utilizadores podem conversar, enviar dinheiro ou pagar despesas sem sair da interface de mensagens. A aplicação integra também funcionalidades como a divisão automática de contas, permitindo repartir instantaneamente despesas entre vários utilizadores — uma resposta adaptada aos usos coletivos muito comuns na economia local.
Diversificação dos usos e das receitas
Para além dos pagamentos entre particulares, a EcoCash expande o seu posicionamento ao integrar serviços comerciais, pagamento de faturas, bem como a compra de crédito telefónico e dados móveis. A plataforma introduz ainda ferramentas de monetização de conteúdos, abrindo caminho a novos usos económicos. Criadores, influenciadores e pequenas empresas podem agora gerar receitas diretamente através da aplicação, transformando interações sociais em oportunidades comerciais.
Esta evolução responde a uma dupla lógica: aumentar o envolvimento dos utilizadores e diversificar as fontes de receita, num contexto em que os serviços financeiros tradicionais atingem a maturidade.
Uma batalha das super apps em África
Este movimento insere-se numa tendência mais ampla observada no continente, marcada pela transformação dos operadores de telecomunicações e das fintechs em plataformas multisserviços. À semelhança da Max it, desenvolvida pela Orange, ou da Telebirr, lançada pela Ethio Telecom, estas iniciativas visam construir ecossistemas integrados capazes de captar uma parte crescente dos usos digitais.
O objetivo é ultrapassar o âmbito de um único serviço e afirmar-se no quotidiano dos utilizadores. Os intervenientes do setor procuram agregar comunicação, pagamentos e serviços comerciais numa mesma interface, de forma a oferecer uma experiência fluida e contínua.
Desenvolvida pela Sasai Fintech do grupo Cassava Technologies, a aplicação ambiciona integrar serviços de transferências baseados em stablecoins, graças a uma parceria com a empresa norte-americana Circle. Prevê ainda evoluir para uma plataforma enriquecida por inteligência artificial, de modo a oferecer serviços mais personalizados.
Samira Njoya













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.