No âmbito da sua transformação digital, a Mauritânia está a acelerar a desmaterialização dos seus serviços públicos em todos os setores. Surge assim a necessidade de um quadro que harmonize este processo a nível nacional.
As autoridades mauritanas iniciaram um processo destinado a estabelecer uma norma nacional de qualidade unificada para os serviços digitais. A iniciativa pretende apoiar a transformação digital em curso e melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.
Um workshop foi organizado para este efeito entre terça-feira, 24, e quinta-feira, 26 de março, pelo Ministério da Transformação Digital e da Modernização da Administração, em parceria com a Alemanha. Durante o workshop, as autoridades apresentaram o estudo técnico e o mecanismo de execução do projeto aos atores dos setores público e privado, bem como à comunidade académica, convidando-os a conhecer e adotar estas orientações.
De acordo com a Agência Mauritana de Informação (AMI), o ministro Ahmed Salem Bede indicou que a iniciativa visa estabelecer um quadro padrão nacional unificado, que garanta coerência na conceção e desenvolvimento dos serviços digitais, melhore a interoperabilidade entre os diversos sistemas e plataformas governamentais, apoie a reutilização de componentes comuns, otimize recursos e melhore a experiência do utilizador e a qualidade dos serviços prestados.
O ministro salientou que a padronização dos serviços digitais deixou de ser uma opção e tornou-se uma necessidade técnica e estratégica urgente. Na sua opinião, a ausência de normas comuns gera uma fragmentação dispendiosa dos sistemas e degrada a qualidade dos serviços oferecidos aos cidadãos.
A iniciativa surge num momento em que as autoridades mauritanas aceleram a digitalização dos serviços em todos os setores. Por exemplo, já desmaterializaram o pedido de carta de condução, o Sistema Digital de Trânsito Rodoviário, a emissão de registos criminais, cartas de circulação, certificados de perda de documentos oficiais, assim como serviços da companhia nacional de eletricidade. Estes serviços estão disponíveis na plataforma digital “Khdamati”.
As autoridades apostam no digital para melhorar a eficiência da administração pública e aproximar os serviços da população. Em janeiro de 2025, o executivo lançou o projeto “Digital‑Y”, com financiamento de 4 milhões de euros (4,6 milhões de dólares) em parceria com a cooperação alemã. O projeto visa integrar mais ferramentas digitais na gestão pública, modernizar os serviços e reforçar a transparência administrativa.
Atualmente, a Mauritânia ocupa a 165.ª posição no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) 2024 das Nações Unidas, com um score de 0,3491 em 1, abaixo das médias africana e mundial. Entre os três subíndices, o país apresenta a pontuação mais baixa no relativo aos serviços online (0,1688 em 1).
Isaac K. Kassouwi













Bamako