As ameaças cibernéticas intensificam-se em África à medida que a transformação digital acelera. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), as atividades de cibercrime provocaram perdas financeiras estimadas em mais de 3 mil milhões de dólares no continente entre 2019 e 2025.
As autoridades quenianas lançaram, na segunda-feira, 26 de janeiro, o projeto Kenya Cyber Resilience (KCR), destinado a reforçar a segurança, resiliência e fiabilidade de um ecossistema digital nacional em rápido crescimento. Com um custo total de 454 milhões de xelins quenianos (≈3,5 milhões de USD), a iniciativa é financiada pela União Europeia.
Segundo um comunicado da delegação da UE no Quénia, o projeto assenta em três pilares complementares: o fortalecimento dos quadros jurídicos, regulamentares e institucionais em matéria de cibersegurança; a melhoria das capacidades operacionais, tanto a nível nacional como setorial, para a prevenção e resposta a incidentes cibernéticos; e a promoção da consciencialização, inclusão e confiança digitais, com especial atenção às mulheres, jovens e utilizadores de serviços públicos.
As autoridades quenianas sublinham que a dimensão e a rapidez da transformação digital do país aumentaram a sua exposição a ciberameaças cada vez mais sofisticadas, tornando a ciberresiliência uma prioridade nacional. De acordo com dados da Communications Authority (CA), foram detetadas 12,5 mil milhões de ciberameaças em 2025, um aumento de 247 % face a 2024.
O projeto KCR deverá complementar o quadro regulamentar existente, que inclui, entre outros, a Estratégia Nacional de Cibersegurança, o Plano Diretor Digital, a Lei de Proteção de Dados Pessoais, bem como a Lei sobre Uso Indevido de Computadores e Cibercrime. O Quénia prevê ainda a criação de uma Agência Nacional de Cibersegurança, entre outras iniciativas estruturantes.
Enquanto o governo faz do digital um alavanca central para o desenvolvimento socioeconómico, a UIT recorda que os países não podem tirar pleno proveito das tecnologias de informação e comunicação sem dar atenção especial à cibersegurança. No seu Índice Global de Cibersegurança 2024, a organização classificou o Quénia em 21.º lugar a nível mundial e 3.º em África, com pontuações máximas em cooperação, desenvolvimento de capacidades e medidas organizacionais. Contudo, ainda são necessários esforços para reforçar o quadro regulamentar e as medidas técnicas.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc