As comunicações por satélite têm registado um verdadeiro crescimento em África nos últimos anos. São consideradas uma oportunidade para colmatar a lacuna digital do continente.
O Chade, país sem saída para o mar, está a explorar uma cooperação com o Azerbaijão para desenvolver serviços de comunicações por satélite, num contexto em que as autoridades procuram melhorar a cobertura e a qualidade dos serviços de telecomunicações, ao mesmo tempo que reduzem o seu isolamento digital.
Esta iniciativa insere-se no âmbito de um protocolo de cooperação assinado na quinta-feira, 29 de janeiro, entre a Autoridade de Regulação das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP) do Chade e a Azercosmos, Agência Espacial da República do Azerbaijão. A assinatura foi realizada durante uma visita de trabalho ao Azerbaijão de uma delegação chadiana liderada por Boukar Michel (foto, ao centro), Ministro das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização.
O protocolo abrange vários eixos estratégicos: gestão do espectro radioelétrico, desenvolvimento e exploração de sistemas de informação geográfica (SIG), teledetecção, operações satelitais, infraestruturas terrestres, bem como harmonização de normas e aspetos regulamentares relacionados com atividades espaciais e serviços satelitais. O acordo prevê também a exploração de parcerias económicas e industriais, o desenvolvimento de polos de inovação e produtos digitais, assim como a formação e o reforço de competências dos recursos humanos no domínio espacial e digital.
Para o Chade, a tecnologia satelital poderá trazer soluções concretas aos numerosos desafios do setor das telecomunicações. A qualidade dos serviços fornecidos pelos operadores locais é frequentemente criticada: chamadas falhadas, ligações à internet lentas, interrupções frequentes e cobertura incompleta. Os satélites podem ajudar a transportar o tráfego de internet e de voz desde as zonas isoladas até à rede principal, melhorando assim o desempenho e a fiabilidade das conexões.
Contribuem também para expandir a cobertura de rede nas zonas rurais e remotas, onde o desenvolvimento de infraestruturas terrestres continua difícil e dispendioso. Segundo dados da União Internacional das Telecomunicações (UIT), em 2024, as redes 2G, 3G e 4G cobriam, respetivamente, 86,9 %, 84,5 % e 60 % da população. Em termos de utilização, a DataReportal estimava em 11,3 % a taxa de penetração da Internet no país no final de 2025.
O satélite pode também desempenhar um papel crucial nos esforços de redução do isolamento digital levados a cabo pelas autoridades chadianas. Sem acesso direto ao mar, o país depende dos seus vizinhos costeiros para aceder à capacidade internacional, nomeadamente através de cabos submarinos. Atualmente, esta ligação passa principalmente por uma única conexão com o Camarões. Outras ligações estão previstas com o Níger, Líbia, Egito, Argélia e Nigéria, o que deverá melhorar a resiliência e a capacidade da rede nacional. No entanto, mesmo com estas infraestruturas, o Chade continua vulnerável a perturbações sofridas por estes países fornecedores em caso de falhas ou interrupções.
Isaac K. Kassouwi













Marrakech. Maroc