Num mercado sul-africano de combustíveis que deverá continuar a crescer, o interesse da empresa suíça de comércio de matérias-primas na refinaria Natref surge num contexto industrial fragilizado.
Segundo fontes citadas pela Reuters, a Trafigura está entre os três candidatos à aquisição de 36,36% da refinaria sul-africana Natref, detida maioritariamente pela Sasol. Esta participação foi colocada no mercado após a entrada em administração, em 2025, do grupo britânico Prax Group, que a tinha adquirido dois anos antes à TotalEnergies.
Localizada em Sasolburg, a Natref é a única refinaria de petróleo bruto situada no interior do país, não na costa. Com uma capacidade de 108 500 barris por dia, abastece principalmente o coração económico da África do Sul, sobretudo a região de Joanesburgo. Este ativo tem, portanto, um interesse estratégico num país onde o mercado de combustíveis continua a ser um dos maiores do continente e deverá continuar a crescer, ao contrário da Europa, onde a transição energética tem travado a procura.
O processo de venda continua aberto e não foi concedida qualquer exclusividade. Além da Trafigura, dois atores energéticos sul-africanos detidos por interesses negros também participam no concurso, num contexto marcado pela política de Black Economic Empowerment, destinada a reequilibrar o acesso aos setores estratégicos desde o fim do apartheid. Estes atores poderão posteriormente associar-se a parceiros internacionais.
Para a Sasol, que detém 63,64% da Natref e um direito de preferência, o desafio é encontrar um parceiro financeiramente sólido. O seu diretor-geral, Simon Baloyi, sublinhou a necessidade de evitar as dificuldades enfrentadas no passado.
Fragilizada por um incêndio em janeiro de 2025, a Natref enfrenta também uma pressão financeira crescente, custos logísticos elevados ligados ao seu sistema de abastecimento e um défice de investimento nas suas infraestruturas. Segundo a South African National Petroleum Company, estas limitações podem ameaçar a sua viabilidade a médio prazo e, na ausência de recuperação, conduzir ao encerramento.
Neste contexto, estão a ser estudadas medidas de otimização, incluindo a melhoria das infraestruturas logísticas através de cooperação com a Transnet. Um acordo assinado em maio prevê o pagamento de 4,3 mil milhões de rands (258 milhões de dólares) à divisão de petróleo da Sasol para resolver litígios, abrindo caminho a uma cooperação reforçada.
O interesse da Trafigura insere-se também numa estratégia mais ampla de reforço em África, onde o grupo concorre com a Vitol e a Glencore. Recentemente, assinou um acordo de pré-financiamento de mil milhões de dólares com o Gabão para fornecimentos de crude durante sete anos.
O desfecho desta operação dependerá da capacidade dos candidatos de garantir uma estrutura financeira sólida e de apresentar um plano industrial credível. Também irá condicionar o futuro de um ativo-chave para a segurança energética sul-africana, num contexto em que a modernização das capacidades de refinação se torna uma questão central.
Olivier de Souza













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.