O grupo bancário queniano Equity Group anunciou que pretende adquirir bancos em Angola, Zâmbia e Moçambique, no âmbito de uma estratégia de expansão pan-africana centrada nos corredores mineiros e comerciais do continente.
O diretor-geral James Mwangi confirmou estas intenções numa entrevista à Reuters, sublinhando que o Equity quer aproveitar estas oportunidades «à primeira oportunidade». Angola surge como o mercado mais avançado: segundo o site Billionaires Africa, o grupo estará em negociações para adquirir uma participação maioritária num banco angolano não identificado até ao final de 2026.
«Existe uma oportunidade que pode ser aproveitada em Angola, na Zâmbia e em Moçambique. Não se trata apenas de países, trata-se de seguir os nossos clientes e seguir as rotas comerciais», afirmou Mwangi.
A expansão baseia-se na posição do Equity na República Democrática do Congo (RDC), onde o grupo se tornou o segundo maior banco após adquirir duas instituições em 2015 e 2020. A RDC constitui um ponto central do corredor de transporte de Lobito, apoiado por Washington, que liga as zonas mineiras da África Central aos portos da África Austral. «Não se pode fazer Moçambique sem a Zâmbia», resumiu o CEO.
Estes três mercados-alvo possuem importantes reservas de cobre, cobalto, petróleo e gás natural, beneficiando também de investimentos ligados aos corredores logísticos. O Equity privilegia aquisições em vez de criar operações do zero, devido às barreiras linguísticas e culturais desses mercados.
Resultados recorde a sustentar a expansão
A estratégia surge após resultados anuais recorde. O Equity registou um lucro líquido de 75,5 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 584,5 milhões de dólares) em 2025, um aumento de 55% em relação ao ano anterior.
A RDC registou um crescimento de 58% no lucro, enquanto o Uganda apresentou uma subida de 500%. O grupo aumentou também o dividendo pago aos acionistas.
O objetivo declarado é operar em 15 países africanos até 2030, contra sete atualmente.
A Etiópia em espera
O grupo mantém ainda um escritório de representação na Etiópia, aguardando uma eventual abertura do setor bancário a investidores estrangeiros. No entanto, a legislação limita a participação estrangeira a 40%, o que tem atrasado os planos.
Fiacre E. Kakpo













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