Na Nigéria, onde a rede elétrica continua fortemente dependente das centrais térmicas, a disponibilidade de gás natural condiciona diretamente a oferta de eletricidade.
O Nigerian Independent System Operator (NISO) anunciou, a 27 de fevereiro, que a produção média de eletricidade disponível no país se situa atualmente em cerca de 4 300 MW. Segundo o operador, esta queda deve-se sobretudo ao fornecimento insuficiente de gás destinado às centrais térmicas.
Os dados operacionais indicam que as centrais térmicas, que representam a parte dominante do mix elétrico nigeriano, necessitam de aproximadamente 1 629,75 milhões de pés cúbicos padrão de gás por dia para operar à capacidade máxima. Em 23 de fevereiro de 2026, o fornecimento real era de 692 milhões de pés cúbicos por dia, ou seja, menos de 43% das necessidades estimadas. Esta limitação leva à redução da energia distribuída às empresas de distribuição e impõe cortes programados para manter a estabilidade da rede.
Esta situação surge enquanto o governo federal anunciou, no final de janeiro, a primeira emissão obrigacionista de 501 mil milhões de nairas (368,5 milhões de dólares) no âmbito do Presidential Power Sector Debt Reduction Programme. Este mecanismo visa saldar os atrasados devidos aos produtores de eletricidade referentes ao período de 2015 a 2025.
Além disso, o gasoduto AKK (Ajaokuta–Kaduna–Kano), com 614 km de extensão e estimado em 2,8 mil milhões de dólares, deverá entrar em funcionamento em julho de 2026. Este projeto ligará os campos de gás do sul aos principais centros de consumo do centro e norte do país.
Enquanto a regularização da dívida não surte efeito, e apesar de reservas comprovadas estimadas em mais de 209 mil milhões de pés cúbicos, a Nigéria continua a enfrentar limitações no fornecimento doméstico de gás, afetando diretamente a produção elétrica, já muito aquém das necessidades mesmo em condições ótimas.
Abdoullah Diop












