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Angola: captura de CO₂ entra em operação nas atividades petrolíferas offshore

Angola: captura de CO₂ entra em operação nas atividades petrolíferas offshore
Quinta-feira, 2 de Abril de 2026

Segundo maior produtor de petróleo em África, Angola definiu metas de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa, mantendo, contudo, o papel central dos hidrocarbonetos.

A captura de dióxido de carbono (CO₂) foi integrada nas operações petrolíferas ao largo da costa angolana. Na segunda-feira, 30 de março, a Yinson Production anunciou que um equipamento de captura e armazenamento de carbono entrou em operação a bordo da unidade flutuante utilizada para produzir, armazenar e transferir petróleo (FPSO), a partir do campo Agogo, no bloco marítimo 15/06.

O sistema utiliza o CESAR1, um solvente químico para capturar o CO₂ presente nos gases de combustão, aplicando tecnologia de captura pós-combustão já usada em algumas instalações industriais em terra.

A integração exigiu adaptações técnicas específicas, segundo a Yinson, para operar em ambiente offshore, com espaço limitado e instalações complexas, incluindo monitorização em condições reais.

No campo Agogo, o FPSO, com capacidade de 120 000 barris/dia, extrai e processa petróleo no âmbito do projeto Agogo Integrated West Hub, que abrange os campos Agogo e Ndungu no bloco 15/06, segundo a operadora Azule Energy.

Uma iniciativa alinhada com a estratégia climática

A Yinson Production destaca que é a primeira vez que um sistema de captura de CO₂ é usado num site petrolífero offshore em condições reais, sem interromper as operações.

A nível nacional, esta medida faz parte da política energética de redução de emissões, mantendo a produção de hidrocarbonetos. Segundo a Contribuição Determinada a nível Nacional (NDC) atualizada em setembro de 2025, Angola pretende reduzir 5 % das emissões de gases de efeito estufa até 2035 de forma incondicional, podendo chegar a 11 % com apoio internacional. O setor petrolífero e gasífero é diretamente visado, com foco na redução do queima de gás e de emissões fugitivas.

Em fevereiro de 2026, a EU Reporter qualificou a trajetória angolana como “pragmática”, combinando desenvolvimento de petróleo e gás com tecnologias de baixo carbono, incluindo captura de carbono, eletrificação de instalações offshore e uso de gás como combustível de transição.

Projeto Agogo e redução de CO₂

O Agogo Integrated West Hub integra o sistema de captura pós-combustão de CO₂, com potencial para reduzir até 27 % das emissões da unidade, segundo a Offshore Energy.

Outros projetos estão em curso no setor, como o Kaminho da TotalEnergies, previsto para 2028, com navio totalmente eletrificado e reinjeção de gás associado para reduzir emissões e queima de gás.

Paralelamente, Angola implementa medidas para reduzir a pegada de carbono, incluindo fim do torchamento rotineiro até 2030 com penalizações financeiras, e explora gás não associado e hidrogénio verde, com a Sonangol a projetar produção de até 400 000 toneladas/ano a partir de 2027.

Abdel-Latif Boureima

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