Num contexto de forte dependência do gás importado e de crescimento sustentado da procura de eletricidade, a Tunísia continua a alargar o seu portefólio de projetos solares, apoiando-se em investimentos privados para acelerar a sua transição energética.
A Voltalia, empresa internacional de energias renováveis, anunciou na quinta-feira, 29 de janeiro, que foi selecionada pelo Estado tunisino para desenvolver um novo projeto solar de 132 MW, denominado Wadi, na região de Gabès, no sudeste da Tunísia. Este projeto junta-se aos de Sagdoud (maio de 2024) e Menzel Habib (dezembro de 2024). Com Wadi, a capacidade total dos projetos solares da Voltalia a iniciar construção no país atinge cerca de 400 MW.
Localizado nas proximidades do sítio de Menzel Habib, o projeto Wadi deverá beneficiar de sinergias operacionais, nomeadamente através da partilha de custos relacionados com a construção, transporte e manutenção. A construção está prevista para 2027, com entrada em funcionamento esperada em 2028. Segundo a Voltalia, a central produzirá uma quantidade de eletricidade equivalente ao consumo de cerca de 200 000 habitantes e permitirá evitar 120 000 toneladas de CO₂ por ano. Não foram divulgadas informações sobre o custo do projeto nem sobre o modo de financiamento.
«Estamos muito satisfeitos por termos sido selecionados para este novo projeto na Tunísia. Esta etapa reforça não só a nossa presença numa região com elevado potencial solar, mas permite-nos também acompanhar mais de perto as ambições energéticas do país», declarou Robert Klein, diretor-geral da Voltalia.
Este projeto insere-se numa estratégia nacional que visa reduzir a dependência energética da Tunísia. Segundo um artigo do Banco Mundial publicado em janeiro de 2024, o país ainda depende largamente do gás natural importado para produzir eletricidade, com 48% das suas necessidades energéticas importadas em 2022, enquanto a procura elétrica de ponta aumentou cerca de 5% ao ano entre 2010 e 2022. O Banco Mundial estima ainda o potencial solar e eólico tunisino em 320 GW, para uma procura nacional de ponta de cerca de 5 GW.
Esta dinâmica e a vontade de acelerar a diversificação do mix energético são apoiadas por reformas estruturais. Em 11 de novembro de 2025, o Banco Mundial aprovou um financiamento de 430 milhões USD para o programa TEREG, destinado a modernizar o setor elétrico tunisino, reforçar a performance da Société Tunisienne de l’Électricité et du Gaz (STEG) e atrair investimentos privados. Este programa visa, nomeadamente, mobilizar 2,8 mil milhões USD de investimentos privados para adicionar 2,8 GW de capacidade solar e eólica até 2028.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc