O governo egípcio planeja melhorar a utilização de suas usinas hidrelétricas existentes para reforçar a estabilidade da rede e aumentar a proporção de energia limpa em sua matriz energética.
A iniciativa se alinha à estratégia nacional que visa aumentar a participação de energias renováveis para 42% até 2030 e 40% até 2040.
Enquanto a hidroeletricidade muitas vezes fica à margem das políticas energéticas, o Egito busca melhor explorar suas usinas existentes para apoiar a estabilidade da rede e fortalecer a parcela de energia limpa em sua matriz energética.
O ministro egípcio da Eletricidade e Energias Renováveis, Mahmoud Esmat, e o de Recursos Hídricos e Irrigação, Hani Sewilam, reuniram-se no domingo, 2 de novembro, na sede do Ministério da Eletricidade na nova capital administrativa. A reunião discutiu a coordenação entre os dois departamentos para modernizar as usinas hidrelétricas do país, principalmente a do Alto Barrage de Assuã, e melhor explorar os ativos existentes para maximizar o rendimento.
O ministro Esmat enfatizou que o Estado atribui grande importância às usinas hidrelétricas, considerando-as "um pilar de estabilidade da rede nacional e da continuidade do fornecimento de eletricidade". Ele especificou que essa iniciativa está alinhada com a estratégia nacional de aumentar a participação das energias renováveis para 42% até 2030 e 40% até 2040. Por sua vez, o ministro Sewilam destacou a necessidade de alta coordenação entre a Autoridade do Alto Barrage e a Sociedade Egípcia de Usinas Hidrelétricas para garantir a sustentabilidade e eficiência da produção.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), a hidroeletricidade representou 7,2% da produção total de eletricidade em 2023, ou seja, 15.458 GWh, volume superior à produção combinada de solar e eólica. Sua contribuição tem sido relativamente estável há vinte e cinco anos, refletindo o papel constante que desempenha na regulação de uma rede dominada pelo gás natural. De acordo com a Agência Internacional para Energias Renováveis (IRENA), a capacidade instalada atingiu 2832 MW no final de 2024.
Embora frequentemente relegada ao segundo plano nas discussões sobre a transição de energia, a hidroeletricidade é uma componente essencial para a segurança e flexibilidade dos sistemas elétricos. Globalmente, produziu cerca de 4500 TWh em 2024, representando 14% da eletricidade total, de acordo com a Associação Internacional de Hidroeletricidade. Na África, apenas 11% de seu potencial é explorado, mas isso já é suficiente para fornecer quase 20% da produção elétrica do continente.
Nesse contexto, a iniciativa egípcia simboliza o reconhecimento renovado da importância estratégica da hidroeletricidade e de seu papel na transição energética. Também faz parte de uma dinâmica regional em que vários países africanos, como a Etiópia com a Grande Barragem da Renascença, estão contando com esse recurso para garantir seu fornecimento e estabilizar suas redes elétricas.
Abdoullah Diop













Marrakech. Maroc