Nos últimos meses, Angola, produtor histórico de petróleo bruto em África, tem multiplicado as iniciativas focadas no gás natural, um recurso cuja valorização o Estado procura reforçar ativamente.
A empresa pública angolana Sonangol assinou um contrato de cerca de 245 milhões de dólares para a construção de um novo navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL). A informação foi divulgada na segunda-feira, 2 de fevereiro, pela agência sul‑coreana Yonhap, citando uma declaração regulamentar apresentada pelo estaleiro HD Hyundai Samho Heavy Industries às autoridades financeiras coreanas.
O navio será construído por um dos principais atores mundiais na construção naval especializada. Especificamente, o contrato prevê um metaneiro novo com capacidade de cerca de 174.000 m³, cuja entrega está prevista para 2028.
Destinar-se-á principalmente à exportação do GNL produzido em Angola para os mercados internacionais. Esta é a primeira encomenda de um metaneiro novo feita pela Sonangol no âmbito da renovação da frota utilizada nas atividades de gás do país. A empresa já possui vários navios dedicados ao transporte de GNL, principalmente colocados ao serviço no início da década de 2010.
O investimento da Sonangol num novo metaneiro surge num contexto de reforço das capacidades de gás do país. Angola possui uma única instalação de liquefação, o complexo Angola LNG, localizado em Soyo, com uma capacidade de 5,2 milhões de toneladas por ano.
A unidade é alimentada essencialmente por gás associado (gás recuperado durante a extração de petróleo bruto) proveniente da produção petrolífera offshore. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a produção de GNL em Soyo registou um aumento de 20% em novembro de 2025.
Além disso, volumes de gás não associado também foram integrados no abastecimento do terminal, na sequência da entrada progressiva em operação do projeto New Gas Consortium, desenvolvido, nomeadamente, pela Eni, de acordo com comunicações oficiais do grupo.
Assim, em dezembro de 2025, a Agência Ecofin reportou a inauguração de uma unidade de tratamento em Soyo associada a este projeto, marcando o início da exploração do gás proveniente dos campos Quiluma e Maboqueiro, localizados no bloco 2, na costa do país.
Para além disso, Angola descobriu e perfurou o seu primeiro poço de gás dedicado, integrado no Plano Diretor Nacional do Gás, que visa estruturar a exploração e o investimento no setor gasífero nacional.
Abdel-Latif Boureima













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