Após mais de uma década de fracassos dispendiosos na reabilitação das suas refinarias, a empresa petrolífera pública da Nigéria está a operar uma mudança significativa ao voltar-se para parceiros industriais estrangeiros.
Durante o Nigeria International Energy Summit (NIES) 2026, em Abuja, o diretor-geral da empresa pública petrolífera nigeriana (NNPC), Bashir Ojulari (foto), confirmou que a companhia está em negociações avançadas com uma empresa chinesa para a retoma operacional de uma das suas refinarias. «Trata-se de uma empresa chinesa que opera um dos maiores complexos petroquímicos da China», declarou, sem revelar o nome do grupo em questão.
A NNPC procura parceiros com experiência comprovada na operação industrial de refinarias, enquanto acionistas e operadores, para reabilitar os sites de Port Harcourt, Warri e Kaduna, com uma capacidade cumulativa de 445 000 barris por dia. Uma revisão técnica e comercial foi lançada em outubro de 2025 para selecionar investidores capazes de entrar no capital e gerir segundo padrões internacionais.
Um novo modelo baseado em performance operacional
O novo modelo privilegia agora parcerias industriais assentes na performance operacional e na rentabilidade sustentável. «Para colocar as refinarias de novo em funcionamento, são essenciais três elementos: financiamento, um contratista EPC ([engenharia, suprimentos e construção, N.d.R.]) competente e capacidade operacional de classe mundial. Esta é exatamente a nossa prioridade atual», destacou Bashir Ojulari.
Parcerias operacionais em vez de políticas anteriores
Esta abordagem marca uma ruptura com as políticas anteriores. Nos últimos dez anos, mais de 25 mil milhões de USD foram investidos em programas de reabilitação, sem resultados duradouros. As refinarias continuaram a registar perdas elevadas devido a custos operacionais altos, forte recurso a subcontratados e volumes de processamento relativamente baixos. Apenas algumas unidades de Port Harcourt funcionaram brevemente antes de pararem novamente, enquanto Warri nunca reiniciou realmente e Kaduna permaneceu parada.
A NNPC esclarece que não pretende vender as suas refinarias, mas sim ceder uma participação no capital a parceiros, para que possam autofinanciar-se e alcançar rentabilidade. Esta reorientação surge num contexto em que a entrada em funcionamento gradual da refinaria privada da Dangote (650 000 barris por dia) oferece um alívio temporário ao abastecimento interno de combustíveis. Insere-se também numa reforma mais ampla do modelo económico da NNPC, que visa reduzir a dependência do orçamento federal e mobilizar até 30 mil milhões de USD em financiamentos até 2027.
O governo justifica esta estratégia pelas vulnerabilidades estruturais do país, maior produtor africano de petróleo bruto, mas ainda fortemente dependente das importações de produtos refinados. Esta dependência expõe a Nigéria à volatilidade dos preços internacionais e a tensões recorrentes no mercado interno.
Se as parcerias com operadores chineses se concretizarem, a NNPC espera reduzir de forma sustentável as importações de combustíveis e, a médio prazo, reposicionar o país como exportador de produtos refinados. A curto prazo, contudo, o aumento da taxa sobre os combustíveis importados poderá agravar pressões inflacionárias e sociais.
O desafio já não é apenas reiniciar as refinarias, mas demonstrar que podem funcionar como ativos industriais rentáveis, apoiados em parceiros com know-how operacional comprovado.
Olivier de Souza












