Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML...

Diamantes: 2026, um novo exercício mas ventos ainda desfavoráveis no Botswana

Diamantes: 2026, um novo exercício mas ventos ainda desfavoráveis no Botswana
Quinta-feira, 5 de Março de 2026

Primeiro produtor africano de diamantes em volume e segundo a nível mundial, o Botswana continua fortemente exposto à crise prolongada do mercado. Os exercícios anteriores já tiveram impacto na atividade económica do país da África Austral, e as perspetivas para 2026 estão longe de serem tranquilizadoras.

Na terça-feira, 3 de março, a companhia mineira canadiana Lucara Diamond antecipou para 2026 uma queda nas receitas da sua mina de diamantes Karowe, no Botswana. Esta previsão insere-se num contexto mais amplo de perspetivas desfavoráveis para a indústria diamantífera botswanesa, afetada nos últimos anos pela crise do mercado mundial.

Redução dos volumes produzidos e queda de receitas

Nos últimos anos, a procura mundial pela pedra preciosa tem evoluído de forma lenta, nomeadamente devido à concorrência dos diamantes sintéticos, que exerce pressão sobre os preços. No país da África Austral, esta dinâmica reflete-se nos operadores das principais minas. Assim, depois de ter registado 203,9 milhões de USD em 2024, e uma descida para 159,7 milhões de USD no ano passado, a Lucara prevê este ano um volume de negócios entre 100 e 130 milhões de USD para Karowe.

Esta projeção sugere uma continuação da erosão das receitas da mina, num contexto de volumes de venda esperados em queda, segundo o operador. Os sinais também não são animadores do lado da De Beers, operadora das outras duas minas principais do país (Orapa e Jwaneng), que representam mais de 70% da sua produção global. O grupo reviu em baixa os objetivos para o exercício em curso, prolongando uma série de ajustamentos realizados nos últimos anos, nomeadamente em 2025, quando os volumes extraídos caíram 16%.

Inicialmente prevista com um máximo de 29 milhões de quilates, a De Beers espera agora uma produção máxima de 26 milhões de quilates este ano. Este valor, que inclui também, em menor medida, as contribuições esperadas das suas operações na Namíbia e na África do Sul, acompanha expectativas comerciais moderadas.

“As condições comerciais a curto prazo deverão permanecer difíceis. A volatilidade macroeconómica persistente, a gestão prudente de stocks no setor intermédio e a crescente penetração dos diamantes sintéticos deverão limitar a procura de diamantes brutos a curto prazo”, explicava a De Beers numa nota de sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026.

A economia botswanesa continua sob pressão

Para além dos impactos nas companhias mineiras, o contexto deprimido do mercado de diamantes afeta também a economia botswanesa. Primeiro produtor africano de diamantes naturais em volume, o país depende fortemente deste setor, que representa um terço das suas receitas fiscais e 25% do PIB nacional. As autoridades esperam, assim, um segundo ano consecutivo de contração económica em 2025 (-3%).

Paralelamente, as receitas mineiras são esperadas em 10,3 mil milhões de pulas (aproximadamente 768,3 milhões de USD) para o exercício orçamental 2025/26, um nível claramente inferior à média anual histórica de 25,3 mil milhões de pulas. À luz das perspetivas avançadas pelos principais atores da indústria diamantífera, a dimensão dos impactos da crise na economia botswanesa nos próximos meses permanece por avaliar.

Entretanto, Gaborone já procura reduzir a sua dependência das receitas do diamante, como demonstra o plano quinquenal de desenvolvimento recentemente apresentado pelas autoridades, que destaca investimentos em infraestruturas de transporte, água e habitação. No entanto, o Botswana não é o único país africano exposto às flutuações do mercado mundial. Angola e Namíbia figuram também entre os principais produtores de diamantes do continente.

Aurel Sèdjro Houenou

Sobre o mesmo tema

O Egito é um dos principais mercados africanos de veículos elétricos, à frente da África do Sul e do Marrocos, com 7 900 unidades vendidas em 2025,...

A fronteira entre o Níger e o Benim, durante muito tempo utilizada para as exportações nigerinas, permanece fechada desde 2023. Para a futura mina de...

No Sud-Kivu, o setor mineiro continua dominado por práticas artesanais, marcado por uma governação frágil, violência persistente e locais de exploração...

Ainda ausente da produção mundial, a África poderá representar 9 % do abastecimento de terras raras até 2029, segundo projeções de mercado. Uma dinâmica...

MAIS LIDOS
01

Enquanto os seus projetos de gás, que estiveram paralisados durante vários anos, entraram numa dinâm…

Moçambique: o governo formaliza a criação de uma empresa de logística do gás.
02

Enquanto aguarda a mobilização dos financiamentos necessários para o início das obras de construção,…

Cobre/zinco: Orion visa 11 milhões de dólares para avançar rumo a uma nova mina na África do Sul
03

O fundo soberano mineiro burquinabê será financiado pelas receitas adicionais geradas pela subida do…

O Burkina Faso cria um fundo soberano mineiro para financiar projetos estruturantes a partir de 2027.
04

A Tanzânia afirma-se como o segundo maior produtor africano de mel, depois da Etiópia. Tal como na m…

A Tanzânia aposta no reforço de competências para impulsionar a sua produção de mel.

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.