A medida que o urânio se beneficia de um renovado interesse global por projetos de energia nuclear civil, novos investimentos começam a surgir na produção. Na África, essa dinâmica é impulsionada por atores como a Lotus Resources, presente tanto no Malawi quanto no Botswana.
Na sexta-feira, 6 de fevereiro, a mineradora australiana Lotus Resources anunciou a conclusão de uma colocação de ações lançada no início da semana, arrecadando 76 milhões de dólares australianos (53 milhões de dólares americanos). Segundo a empresa, esse financiamento servirá para reforçar seu caixa, enquanto continua o desenvolvimento de seus projetos de urânio Kayelekera, no Malawi, e Letlhakane, no Botswana.
“Estamos entusiasmados com o apoio recebido de nossos acionistas institucionais, que nos garante maior liquidez durante a fase de ramp-up da produção até atingir a produção plena e a primeira entrega prevista para o segundo trimestre de 2026. Esse financiamento nos permite ter um balanço mais simplificado e flexível, além de maior visibilidade sobre nosso financiamento à medida que Kayelekera gera fluxos de caixa positivos”, declarou Greg Bittar, diretor-geral da companhia.
Em agosto de 2025, a Lotus Resources anunciou o lançamento de Kayelekera, uma mina que deverá produzir em média 2,4 milhões de libras de urânio por ano durante 10 anos. Paralelamente, as ambições da Lotus no urânio africano se estendem também ao Botswana, onde continua avaliando o potencial de Letlhakane. Segundo um estudo preliminar, este projeto poderá, no futuro, entregar em média 3 milhões de libras de urânio por ano durante 10 anos.
Esses parâmetros estão atualmente sendo atualizados no âmbito de um estudo de pré-viabilidade, com conclusão prevista para o segundo semestre deste ano. No contexto, a Lotus busca aproveitar plenamente o crescimento esperado do mercado de urânio, cuja demanda deve aumentar devido à retomada de projetos de energia nuclear civil globalmente. Essa dinâmica já elevou os preços à vista do combustível acima de 100 USD por libra no final de janeiro.
“Os preços do yellowcake permanecem elevados, pois espera-se que a capacidade de produção de energia nuclear continue a crescer para atender à demanda de centros de dados e eletrificação”, explica a Trading Economics.
Resta observar como a Lotus aproveitará esse cenário nos próximos meses, primeiro com Kayelekera e, potencialmente, a longo prazo, com Letlhakane. Para os países anfitriões, a continuidade dos investimentos até a concretização desses projetos oferecerá uma nova fonte de receita mineral.
Aurel Sèdjro Houenou












