Historicamente, o pipeline SUMED serviu como uma rota logística alternativa para transportar petróleo do Golfo para o Mediterrâneo quando, por razões logísticas, alguns petroleiros não conseguem atravessar o Canal de Suez.
Diante das perturbações causadas pela nova guerra no Oriente Médio, as autoridades egípcias propõem usar o pipeline SUMED para facilitar o transporte de petróleo saudita para a Europa.
Segundo informações divulgadas em 3 de março pelo Pipeline Journal, Cairo destaca essa infraestrutura como uma rota de trânsito para o petróleo bruto enviado da Arábia Saudita. O oleoduto atravessa o Egito, entre o terminal de Ain Sokhna, no Mar Vermelho, e o de Sidi Kerir, na costa mediterrânea.
Na configuração proposta, o petróleo carregado no porto saudita de Yanbu, na costa oeste do reino, seria transportado por petroleiros até o terminal de Ain Sokhna. O petróleo bruto seria então transferido para o pipeline antes de ser bombeado para o Mediterrâneo, ao longo de cerca de 320 quilômetros, até Sidi Kerir, perto de Alexandria.
De acordo com os dados técnicos disponíveis, a infraestrutura operada pela Arab Petroleum Pipelines Company tem uma capacidade de cerca de 2,5 milhões de barris por dia. Esta empresa é detida por um consórcio que reúne o Egito, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Qatar.
De acordo com Asharq Al-Awsat, o oleoduto já é utilizado para transportar petróleo bruto do Golfo para o Mediterrâneo quando alguns petroleiros ultrapassam a capacidade do Canal de Suez. Esta proposta surge em um contexto de tensões persistentes que afetam o transporte marítimo no Mar Vermelho, uma rota essencial para o comércio de energia entre o Oriente Médio e a Europa.
Desde o final de 2023, vários navios mercantes foram alvo de ataques na região por rebeldes houthis do Iémen. Esses ataques visaram embarcações transitando perto do estreito de Bab el-Mandeb, um ponto estratégico que conecta o Oceano Índico ao Canal de Suez. Segundo a Reuters, esses incidentes levaram várias companhias marítimas e energéticas a adaptar suas rotas na região.
Algumas empresas optaram por desviar seus navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, ao sul da África. Essa opção aumenta em milhares de quilômetros as rotas entre a Ásia, o Oriente Médio e os mercados europeus, elevando os custos de transporte e os prazos de entrega.
Abdel-Latif Boureima













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