A organização internacional de certificação Gold Standard rotulou os primeiros créditos carbono africanos como elegíveis para CORSIA.
Esse projeto baseado no Malawi exemplifica como um modelo local de energia limpa pode cumprir com requisitos internacionais ao atrair mais financiamento climático.
A Organização Internacional de Certificação Gold Standard anunciou, na quarta-feira, 5 de novembro, que, pela primeira vez, rotulou créditos carbono africanos como elegíveis para o mecanismo internacional de compensação de emissões da aviação, CORSIA. Estes créditos provêm de um programa de culinária limpa implementado no Malawi pela empresa Hestian.
O projeto, chamado de Programa de Conservação de Energia da Biomassa, distribui fogões melhorados fabricados localmente com o objetivo de reduzir o consumo de madeira e as emissões de fumaça prejudiciais. Ele ainda libera tempo para mulheres e crianças, que frequentemente são encarregadas de coletar a madeira. Mais de 1,5 milhão de créditos provenientes deste programa foram identificados como elegíveis para a primeira fase de conformidade com a CORSIA.
Este marco representa um avanço significativo para o continente africano, já que demonstra a habilidade de um Estado em fazer parte dos mecanismos do Acordo de Paris e acessar financiamento. O governo do Malawi, anteriormente a este reconhecimento, havia submetido um relatório previsto no Artigo 6 da Convenção de Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), na qual aplicou os ajustes correspondentes par os créditos rotulados.
Segundo Margaret Kim, diretora executiva da Gold Standard, esta rotulação ilustra como a política climática pode produzir efeitos tangíveis no campo. Conor Fox, da Hestian, saudou este precedente como potencialmente capaz de mobilizar financiamentos essenciais para a culinária limpa na África.
Este reconhecimento surge à medida que o mercado de carbono africano está sendo rapidamente estruturado em torno dos padrões internacionais. Após o Gana, onde créditos transmissíveis foram vendidos para a Suíça sob o Artigo 6, o Malawi surge como um dos países pioneiros no continente a participar de um mecanismo de conformidade.
Este novo sucesso mostra que projetos africanos podem agora acessar fontes de financiamento de carbono credíveis, que são então capazes de apoiar de maneira sustentável as políticas nacionais em relação ao acesso a energia limpa, especialmente para cozinhar.
Abdoullah Diop












